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Localização e investimento garantem movimentação crescente em Paranaguá

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Os investimentos realizados nos últimos anos em Paranaguá deixaram o porto preparado para a supersafra de grãos e não há risco de perda de espaço para outros terminais, diz o presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino. “Nos últimos 12 meses, batemos as marcas de melhor produção diária, melhor mês do porto, maior movimentação de grãos. Em 2016 fizemos o melhor janeiro da história, o melhor fevereiro, o melhor março”, disse a Agência Estado.


O complexo soja responde por 60% da exportação de granéis sólidos feita por Paranaguá. O restante se divide basicamente entre milho, açúcar e trigo. Segundo dados da Appa, em 2015 os embarques do complexo soja totalizaram 13,92 milhões de toneladas. Para 2016, a previsão é de um incremento de 7%, chegando a 14,9 milhões de toneladas exportadas. As informações são de Gabriela Lara no Estadão.

Dividino conta que as entregas de soja foram em boa parte antecipadas, devido ao receio de que a turbulência política provocasse flutuações expressivas da relação dólar-preço. “Se tirarmos uma fotografia momentânea, o crescimento é maior (que o projetado), mas em algum momento o ritmo vai cair. Acredito que, no fim de 2016, vamos anunciar um aumento da ordem de 7%”, explicou.

A última obra concluída em Paranaguá foi o reforço do cais, entregue no mês de abril. Desde 2012, o porto recebeu R$ 500 milhões em investimentos do poder público estadual. O primeiro passo foi ampliar as vagas para caminhões, além de mudar premissas e fluxos no transporte aos navios. Encerradas as filas de veículos na entrada, a meta era reduzir o tempo de descarga.

A solução foi substituir quatro shiploaders antigos, o que aumentou em 30% a velocidade de carregamento. O porto também investiu na dragagem de berços e inaugurou uma operação de “superberço” no corredor de exportação. Ali, quem se comprometer a carregar um navio de 65 mil toneladas em até 36 horas tem preferência de atracação entre os demais.

“Estamos tirando os gargalos do caminho”, resume Dividino. A capacidade de exportação de Paranaguá ficou 3 milhões de toneladas maior nos últimos anos. Nas próximas semanas, começa mais uma obra no porto, de ampliação do cais oeste, no berço 201. O projeto, que deve ficar pronto em até dois anos, tem potencial para aumentar em mais 4 milhões de toneladas a capacidade de exportação.

O presidente da Appa acredita que os investimentos que têm sido feitos na região do Arco Norte se deve à percepção, por parte das grandes empresas do agronegócio, de que era necessário diversificar o escoamento de grãos e criar opções na parte norte do Brasil. Ele avalia, no entanto, que os portos no Amazonas, Bahia, Maranhão e Pará representam uma ameaça maior a Santos, que é o maior canal exportador da produção de Mato Grosso. “Hoje 80% do que fazemos (de movimentação) sai do Paraná e de Mato Grosso do Sul, que pela natureza da geografia corre pra cá. Dos outros 20% é que eu vou buscar alguma coisa em Mato Grosso”, disse. Ele acrescenta que Paranaguá tem um “diferencial” pelo fato de o porto ser um importante importador de fertilizante. “Todo o caminhão que vem pra cá tem frete de retorno com fertilizante. No caso do Arco Norte, o caminhão volta vazio.”

Coamo

A visão de que o porto paranaense é estratégico para setores do agronegócio instalados no Centro-Sul é compartilhada pelo diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa. Tanto que a cooperativa, que tem sua sede em Campo Mourão (PR), investe para concentrar ali grande parte de sua operação. Na safra 2015/16, seu terminal em Paranaguá ficou pequeno para o volume de grãos destinados à exportação, obrigando-a a alugar estrutura de terceiros e também escoar pelos portos de São Francisco e Imbituba, ambos em Santa Catarina, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, sabe que o improviso está longe de ser o ideal. O porto de Rio Grande, por exemplo, fica cerca de mil quilômetros distante de Mato Grosso do Sul, onde a cooperativa concentra parte de sua produção. “Foi uma loucura”, disse ele ao Broadcast Agro. Para resolver o problema, a Coamo aprovou em sua última assembleia geral, no mês de março, um investimento da ordem de R$ 130 milhões nas instalações em Paranaguá. O objetivo é, dentro de dois anos, aumentar a capacidade de recebimento e armazenagem de grãos das atuais 175 mil toneladas para 235 mil toneladas. Além disso, será aperfeiçoado o sistema de correias no corredor de exportação.

Se a ampliação da capacidade em Paranaguá se mostrar insuficiente no futuro, a principal alternativa estudada é a construção de uma estrutura operacional em Santa Catarina. A Coamo está adquirindo um terreno em Itapoá, na entrada do porto de São Francisco. “Mas isso é um projeto mais de longo prazo. Primeiro vamos fazer este complemento em Paranaguá. Se o problema persistir, daí podemos fazer algo em Santa Catarina”, explicou.

A previsão é de que o volume de produtos agrícolas recebidos em 2016 seja um pouco inferior ao de 2015. O motivo é a influência das fortes chuvas na colheita da soja paranaense. Na conversa com a reportagem, no fim de abril, ele previa uma quebra de safra de 10%, com impacto negativo também na produtividade em algumas regiões. De acordo com Gallassini, 40% da produção da cooperativa costuma ficar no mercado interno, enquanto os outros 60% se destinam ao exterior.

A proporção é a mesma quando considerado somente o complexo soja – sendo que o mix é composto normalmente por 50% in natura e 50% de farelo industrializado. Em 2016, a Coamo projeta exportar 4,2 milhões de toneladas de grãos. Deste total, a soja responde por cerca 3 milhões, e quase tudo já foi embarcado. “O cooperado ainda tem pouco mais de 1 milhão de toneladas para vender, mas muito disso ficará no mercado interno”, esclarece. No que se refere ao milho, a exportação deverá chegar a 1,2 milhão de toneladas, conforme a estimativa da cooperativa. Até março, foram embarcadas 745 mil toneladas. O restante virá, basicamente, da safrinha de milho que começa a ser colhida em junho.

(foto: Andre Kasczeszen)

1 Comentário

  1. edson casagrande Responder

    O Porto se tornou mais ineficiente. pois, se comparar com a estrutura que existia a existente está menor a movimentação.
    Um porto que se tornou a prestar serviço a grandes empresas e companhias a detrimento aos pequenos exportadores que sumiram do porto de PARANAGUÁ.
    Com isso quem perde são os produtores que tem que arcar com custo de mais um atravessador para vender seus produtos.
    Vale a pena analisar melhor a informações.
    Fica a dica.

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