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Governo provisório

michel_termer

Ricardo Noblat

O presidente em exercício Michel Temer montou um ministério para, no máximo, 180 dias – o tempo que deverá levar para que o Senado casse em definitivo o mandato e os direitos políticos da presidente Dilma.

Copiou o modelo adotado pelo vice-presidente Itamar Franco ao assumir a presidência enquanto o presidente afastado Fernando Collor esperava para ser julgado pelo Senado. O modelo deu certo para Itamar. Temer espere que dê certo para ele.

Itamar deu cinco ministérios para senadores cujos votos seriam necessários para cassar Collor. O sexto ministério que deu, acabou preenchido pelo filho de um senador. Deu ministérios para saldar dívidas com partidos que apoiaram o impeachment na Câmara.


Temer procedeu igual, embora os ministérios ofertados a senadores tenha sido em menor número. Ao longo do seu governo, Itamar teve seis ministros da Fazenda. O primeiro deles, Gustavo Krause, durou no cargo um ano e um dia.

Itamar demitiu ministros alcançados por suspeitas de prevaricação – um deles, Elizeu Rezende, da Fazenda, que havia viajado aos Estados Unidos na companhia de um diretor da Odebrecht. Sim, apenas por isso. Itamar era implacável.

Temer espera não ter que demitir ninguém pelo mesmo motivo. Mas ontem, em entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, anunciou que demitirá se for o caso. E que demitirá também aqueles que não tiverem bom desempenho.

Itamar convidou o PT para fazer parte do seu governo. Atraiu a atual deputada Erundina (PSB-PT), que foi expulsa do PT por ter aceitado o convite. Temer não convidou para o governo ninguém do PT. Mas espera, caso Lula queira, entender-se com ele. Lula não vai querer.

A tarefa que Temer terá pela frente será muito mais pesada do que foi a tarefa de Itamar. O Plano Real estabilizou a moeda, empurrando a inflação radicalmente para baixo. Foi tão bem-sucedido que elegeu e reelegeu Fernando Henrique presidente.

O maior problema que Temer enfrentará será aumentar a receita, cortas gastos e promover reformas. Por mais que disponha no momento de largo apoio no Congresso, não terá vida fácil por lá. A sociedade, hoje, é mais organizada do que era no tempo de Itamar.

Por causa disso, à oposição a Temer será maior. Isso exigirá dele maior habilidade do que a de Itamar, e maior coragem e perseverança. Em compensação, se Temer entregar ao sucessor um país um pouco melhor do que herdou, poderá se dar por satisfeito.

Os brasileiros não esperam muito mais do que isso.

(foto:Fabio Pozzebom/ Agencia Brasil)

3 Comentários

  1. “Quero ver o governo Temer mexer na ferida dos milhares de cargos do INCRA. Nas famigeradas verbas liberadas para esses 171 dos ‘movimentos sociais’ como CUT, CGT, desses grupos LGBT. Chega de financiar esse tipo de aberração. Kit Gay, etc… E por vai a interminável essa salada mista dos chamados movimentos sociais. Aí sim vou acreditar que alguma coisa está mudando. Abre o olho Temer o povo está te dando um voto de confiança. Cuidado…” – Profº Celso Bonfim

  2. Doutor Prolegômeno Responder

    O conselheiro Acácio parece ser o editor-chefe de alguns hebdomadários. É evidente que, se o governo é provisório, o ministério também é. Depois de envergar a faixa, como efetivo, se isso ocorrer, é outra história. Os ministros são tão provisórios como o governo.

  3. Não votei no petê, portanto não votei no Temer. Mas torço para que ele tenha a coragem, a capacidade e a integridade de fazer o que os petralhas não tiveram, e alcance pleno sucesso em seu governo.

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