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Jucá é insustentável

Eliane Cantanhêde

Assim como Dilma Rousseff perdeu as condições de governabilidade, Romero Jucá não se sustenta como ministro do Planejamento, cargo-chave para juntar duas pontas fundamentais para o governo interino de Michel Temer: as medidas econômicas contra o rombo abissal de R$ 170 bilhões, começando pela aprovação da nova meta fiscal, e um Congresso Nacional turbulento, indócil e imprevisível.

Já há uma gritaria dos antigos governistas, atuais oposicionistas, para pedir a prisão de Jucá, tentando equiparar o caso dele com o do ex-líder do governo Dilma no Senado, Delcídio Amaral, que se tornou o primeiro senador preso depois de ser grampeado oferecendo mundos e fundos para impedir a delação premiada de Nestor Cerveró. Os dois casos, porém, não são iguais: Delcídio tentou obstruir a Justiça oferecendo ajudas concretas, dinheiro e até avião, para tirar Cerveró do Brasil. Jucá falou genericamente num “pacto” para “conter a sangria” da Lava Jato.


De toda forma, a situação dele, que já era periclitante desde o início, por diferentes conexões com a Lava Jato, agora se torna politicamente insustentável. O melhor que ele faria para Michel Temer, para ele mesmo e para não arranhar mais ainda as condições de sucesso da interinidade, seria se antecipar, evitar maiores constrangimentos e pedir o afastamento. Ele é homem de fazer um gesto assim? É o que se perguntam os aliados de Temer.

As conversas gravadas entre Jucá e o ex-presidente da Braspetro, Sérgio Machado, também do PMDB, transcritas pelo repórter Rubens Valente no jornal “Folha de S. Paulo”, são explosivas e atingem em cheio o projeto Temer, numa hora crucial e no pior dia: justamente quando ele vai ao Congresso, agora à tarde, às 16h, conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre a necessidade inadiável de aprovar uma nova meta fiscal e preparar terrenos para reformas que sirvam de sinal para o mercado e para a opinião pública de que há luz no fim do túnel da economia.

O afastamento de Jucá, por demissão ou por decisão dele, é uma resposta óbvia para a crise, mas não resolve tudo, muito pelo contrário. Ele sai, mas o rastro das gravações ficam. As conversas dele com Machado, sobre impeachment, sobre circunscrever a Lava Jato ao estágio em que está, servirão de combustível para incendiar ainda mais os movimentos que vão às ruas contra o governo Temer, até mesmo nos arredores da casa dele em São Paulo.

O estrago, portanto, é gigantesco. E deixa uma curiosidade: como é que os políticos que têm rabo preso continuam falando com tanta desenvoltura, e tanta desfaçatez, sobre o que não deveriam conversar nem mesmo entre quatro paredes, depois de uma varredura nas janelas, no lustre e na maçaneta? Essa gente, pelo jeito, adora viver perigosamente. Coitado do país.

7 Comentários

  1. Doutor Prolegômeno Responder

    Ainda que seja verdade que ele não se refere a interferir na lava jato, as menções desairosas aos demais investigados e aos líderes tucanos, inviabiliza sua permanência numa pasta encarregada de negociar os ajustes do orçamento no Congresso. É impossível permanecer.

  2. NA CORDA BAMBA Responder

    É mais uma trapalhada do Temer neste início de mandato tampão.
    Ainda falta o André Moura cair fora. Se fossemos analisar a retira-
    da dos fichas sujas acredito que deve ficar só o Tiririca, porque o
    cara ainda não entendeu o funcionamento da política brasileira. O
    cara entende é de circo, porem diferente de Brasília !!!

  3. Antonio Carlos Responder

    O presidento está insistindo em seguir pelo caminho já trilhado pela querida companheira, a esta hora já deveria ter pedido para o Jucá pedir o boné, assim ficava mais bonito para os dois. De gente competente e sem filiação partidária Pindorama está cheia, porque complicar as coisas presidento? Tem bronca na Justiça, há alguma suspeita, então fica em casa, lugar de suspeito não é em ministério, não concorda comigo presidento?

  4. homero da silva pereira Responder

    Este Jucá, sempre foi corrupto…tem uma folha corrida digna de estar preso em Pinhais, no Paraná.

    Este furo de 170 bilhões, foi inflado para permitir que o governo pague as emendas dos parlamentares que votaram a favor da saída da Dilma. que existe défict ninguém nega, mas aumentar para 170 bilhões é uma irresponsabilidade e o povo vai pagar esta conta.
    Afinal, não falaram em austeridade, e agora vão aumentar os gastos públicos? que palhaçada… o duro foi a Classe Média que foi massa de manobra da classe política e da mídia, foi para as ruas gritar fora Dilma e agora terá de suportar o aumento da carga de impostos…acreditaram em “Coelhinho da Páscoa”….bem feito

  5. -Entra governo e sai governo e a bagunça continua!!!
    -O PMDB que sempre esteve presente em quase todos os governos, pós regime militar, não consegue se separar da má reputação que o precede.
    -Partidos políticos(PT-PSDB e PMDB) deveriam sofrer uma grande investigação criminal antes de lançarem candidatos aos principais cargos do GF.
    -De nada adiantou o impeachment da incompetente, pois o que os sucederam-na estão indo para o mesmo caminho!!!

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