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PRB manobra para salvar Cunha, e votação sobre cassação é adiada

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Ranier Bragon e Aguirre Talento, Folha de S. Paulo

Após quase cinco horas de discussão e bate-bocas, o Conselho de Ética adiou para esta quarta-feira (8) a votação do relatório que pede a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que já está afastado do comando da Câmara desde o dia 5 de maio.

A decisão foi anunciada pelo presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), a pedido do relator, Marcos Rogério (DEM-RO), ambos adversários de Cunha, diante da constatação de que Cunha seria absolvido caso a votação ocorresse nesta terça-feira.

Considerada voto decisivo, a deputada Tia Eron (BA), do PRB de Celso Russomanno e Marcelo Crivella, não apareceu na sessão, o que abriria margem para o voto do suplente Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais defensores de Cunha.

O placar no Conselho ficaria 11 a 9 para salvar Cunha. O “sumiço” de Eron monopolizou o final da sessão, com clara interpretação por deputados de que ela e o PRB acertaram livrar Cunha da cassação.

A assessoria da deputada disse que ela iria aparecer na hora da votação, mas não soube dizer o motivo da ausência durante toda a sessão. Em rápida entrevista a jornalistas na saída do gabinete da Liderança do PRB, ela afirmou apenas que sofre pressão é da imprensa e que irá analisar o relatório paralelo apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), aliado de Cunha, que troca a cassação do mandato por uma suspensão de três meses.

A apresentação desse voto paralelo foi o pretexto usado pelo relator Marcos Rogério para adiar a votação e evitar a derrota. “Usei o regimento e fiz o que deveria ser feito”, afirmou.

A defesa de Cunha falou que os adversários do peemedebista é que recorreram a uma manobra. “Quando é do nosso lado fazem grande divulgação, será que agora a imprensa vai divulgar? Quem está manobrando? O que aconteceu aqui hoje foi uma vergonha. Foi como aquele juiz que diz, aos 45 minutos do segundo tempo: ‘Só encerro a partida quando meu time virar o jogo'”, afirmou o advogado Marcelo Nobre.

A intenção dos articuladores da cassação de Cunha com o adiamento é aumentar a pressão sobre Tia Eron, com a exposição na mídia e nas redes sociais. “O presidente [Araújo] cumpriu o regimento, contra nossa vontade. Diferentemente deles não vou à Procuradoria-Geral da República falar: ‘Olha, encerraram a sessão com temor de que eu votasse, tem que prender todo mundo naquele Conselho”, ironizou Carlos Marun.

Para adversários de Cunha, há um indicativo forte de acordo entre o PRB, Cunha e o governo Michel Temer para salvar o peemedebista. Conforme o Painel, o Planalto recebeu nesta segunda a cúpula do PRB, reunião após a qual deputados do partido passaram a acreditar que Eron votaria a favor do presidente da Câmara afastado.

“A conversa entre o governo e o PRB é um indicativo de que o Planalto pode estar empenhado em salvar o mandato de Cunha”, afirmou Chico Alencar (PSOL-RJ). “A minha opinião é a de que o Eduardo Cunha ameaça derrubar o governo e a República. Ele tem um banco de dados com os deputados que ele financiou, com deputados que têm problemas, ele é uma ameaça ambulante”, reforçou Ivan Valente (PSOL-SP).

Em nota divulgada após o adiamento da sessão, Tia Eron afirmou que está “a postos para cumprir com minha obrigação” e que teria votado. Disse ainda que o adiamento não foi por causa de sua ausência. “Não me furtarei a cumprir com meu dever”.

Já a assessoria de Cunha divulgou nota na qual classificou de “falta de ética” do presidente do conselho o adiamento “em mais uma das suas manobras, de forma abrupta, antirregimental e autoritária”. Chamou Araújo de “falso moralista” e que ele optou por uma “manobra espúria” de encerrar a sessão por não ter convicção de que a cassação seria aprovada.

2 Comentários

  1. sergio silvestre Reply

    Meu Deus um presidente cuspido no poder e agora planeja salvar seu mentor,esse Pais precisa de algo que aconteça senão a esbornia está ai e voces das midias são os que parecem concordar ou estou errado.

  2. Cunha é o grande herói que teve coragem para aceitar o processo de impeachment, anteriormente dezenas de outros pedidos foram recusados.
    Portanto, Cunha representa o braço de ferro da oposição ao governo petista, que ainda conta com a força da um segmento da imprensa e do clero que governava com o PT.
    A principal acusação que pesa contra ele é o fato de ter gasto em viagem com a família US$ 200 mil em quatro anos de viagem para o exterior. Considerando que um parlamentar tem pelo menos duas férias por ano, gastou em torno de US$25 mil por viagem. Tem muito parlamentares, juízes, prefeitos e outros servidores que gastam muito mais que isso em viagem de férias.
    A ex-presidenta Dilma, já gastou em quinze dias depois de afastada, mais de R$ 58 mil a custo do erário, só passeando entre Brasilia e Porto Alegre, e sem viagem para o exterior. E por falar nisso, ninguém mais falar daquela mala cheia de dinheiro presa com a comitiva presidencial no aeroporto da Itália.
    Tudo indica que essa turma tem muito dinheiro guardado no exterior para viver no luxo esbanjando o resto da vida e ainda deixar muito para suas próximas gerações.
    Enquanto, isso, 13 milhões de desempregado, 55 milhões de trabalhadores que vivem apenas com um salario mínimo, mais 25 milhões de miseráveis que vivem a custo de Bolsa Família.

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