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‘Temos crédito para empreendedor’

Entrevista Adjori
“A Fomento Paraná financiou R$ 1,2 bilhão em obras públicas nos municípios, R$ 150 milhões em microcrédito e mais R$ 300 milhões em outras operações”, diz Juraci Barbosa Sobrinho

O presidente da Fomento Paraná, Juraci Barbosa Sobrinho, costuma dizer que o crédito é a mola propulsora da economia e fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento, principalmente, dos menores. “Quem é empreendedor pensa em crescer e precisa de ferramentas para isso e o crédito é uma dessas ferramentas”, afirma.

E agência financeira de desenvolvimento do Paraná tem esse perfil e apoia os pequenos e médios empreendedores no Estado. E até as prefeituras também têm usado crédito barato para investir, principalmente, em obras de pavimentação. Além do crédito, a Fomento Paraná apoia o setor produtivo com capacitação gerencial. “É para melhorar a gestão e ajudar os pequenos negócios a serem mais duradouros e rentáveis”, disse.

Juraci Barbosa Sobrinho também anuncia nesta entrevista que em breve a agência está se preparando para oferecer a linha de crédito, com recursos do BNDES, para capital de giro para empresas de micro e pequeno porte.

O cenário econômico não apresenta bons sinais para a atividade econômica, como a Fomento Paraná está trabalhando para superar dificuldades como taxas de juros altas, desemprego em alta?

Juraci Barbosa Sobrinho — A Fomento Paraná é uma instituição financeira de desenvolvimento. É diferente de um banco comercial. Não emprestamos dinheiro. Financiamos projetos de investimento. Isso significa que apoiamos o empreendedor que precisa de recursos com baixo custo para tocar uma ideia para frente, ampliar o estoque de sua loja, reformar o estabelecimento, comprar uma máquina nova, um equipamento. Isso acontece o tempo todo. Com ou sem crise.

Quem é empreendedor pensa em crescer e precisa de ferramentas pra isso. O crédito é uma dessas ferramentas. É uma mola propulsora da economia. E a Fomento Paraná oferece o crédito com uma das menores taxas de juros do mercado. Além disso, apoiamos a capacitação gerencial, pelo programa Bom Negócio Paraná, para melhorar a gestão e ajudar os pequenos negócios a serem mais duradouros e rentáveis.

A Fomento Paraná mede o impacto econômico dos recursos em crédito que são colocados no mercado em financiamentos?

Juraci Barbosa Sobrinho — São diversos os impactos, qualitativos e quantitativos. Estudo acadêmico elaborado a partir dos financiamentos de microcrédito aponta que para cada 1% do PIB do município contratado em operações de microcrédito há um acréscimo porcentual relevante do PIB desse município. Entenda-se que, desde 2011, a Fomento Paraná contratou em torno de R$ 150 milhões apenas em microcrédito e outros R$ 300 milhões em operações de maior porte. Esse dinheiro entra na economia do município e circula, trocando de mãos várias vezes, gerando novos negócios. A Fomento Paraná também financia obras públicas nos municípios. São R$ 1,2 bilhão em cinco anos e meio.

Além do benefício direto da obra na melhoria da infraestrutura, como a pavimentação de um bairro, cada investimento gera empregos. E também gera impostos que o município recolhe ou recebe como repasse do Estado, caso do ICMS. Esse imposto que retorna de uma obra praticamente cobre os juros do financiamento. Além disso, dependendo da obra, se é executada por empresa local, com empregados locais, eles vão gastar seus salários nos estabelecimentos locais, que vão comprar insumos e matéria prima de fornecedores locais. Isso é impacto do crédito também.

Que tipo de obra é mais solicitada pelos municípios para financiamento?

Juraci Barbosa Sobrinho — A pavimentação é o item mais solicitado pelas prefeituras. E não é sem razão. Aliás, existem boas razões. O asfalto significa conforto, segurança, menos barro no sapato, menos poeira na roupa de cama que está no varal da dona de casa, menos problemas de saúde, menos danos na mecânica dos automóveis. Asfalto com calçada e iluminação melhoram o deslocamento e a acessibilidade das pessoas. Melhoram o ambiente de negócios para quem tem um estabelecimento comercial. Ruas com infraestrutura atraem comércio, geram mais negócios. Rua asfaltada, e em muitos casos as pessoas passam anos vivendo em bairros sem asfalto — melhoram até a autoestima e a dignidade das pessoas. Quem não quer morar em bairro bonito?

Mas também financiamos barracões industriais, áreas para instalação de distritos industriais, postos comunitários, postos para Bombeiros, escolas, construção de Paços Municipais, compra de máquinas e equipamentos rodoviários, como pás carregadeiras, retroescavadeiras, caminhões caçamba, caminhões para coleta de lixo. Há uma gama bastante grande de itens financiáveis.

A Fomento Paraná, de pouco conhecida, vem se destacando entre as ações do Estado nos últimos anos. Como isso ocorre?

Juraci Barbosa Sobrinho — A Fomento Paraná não conta com os recursos que os grandes bancos possuem para marketing com atores famosos. Aqui é no boca a boca, nas redes sociais, nos jornais de bairro, uma entrevista aqui e outra ali. Mas o principal é que estamos nos tornando conhecidos pelo resultado alcançado com o crédito como política pública. Quando o Paraná é reconhecido como o estado mais competitivo, quando o PIB cresce e o estado se torna a quarta economia do país, quando o estado está entre os que têm os maiores índices de empregos com carteira assinada, estamos falando de fatores econômicos, que não aparecem sem razão. Existe política pública, por certo. E o crédito, como forma de apoiar o empreendedor, é uma política pública do Governo do Paraná.

A nossa missão é levar o crédito aos empreendedores de todo o estado, do micro a grande empreendedor, da indústria, do comércio, de serviços ou da agricultura. Esse é um esforço que fazemos cotidianamente. E o resultado acaba aparecendo. E precisamos que apareça, porque se o empreendedor descobre o que fazemos e o custo que temos, ele faz negócio com a Fomento Paraná. E isso faz a máquina girar, porque outros empresários terão crédito.

Quais são as áreas nas quais a Fomento Paraná está mais focada em atender no momento, ou nos próximos anos?

Juraci Barbosa Sobrinho — O Paraná é grande e por isso estamos fazendo esforços, por exemplo, na área de inovação, que é fundamental para o desenvolvimento de um país, para o aumento da produtividade. A Fomento Paraná é agente da Finep, com crédito de até R$ 80 milhões para financiar projetos de empresas inovadoras. Temos excelentes cases. Estamos em contato permanente com as universidades, com as incubadoras tecnológicas e outros parceiros.

Neste ano nos tornamos cotistas de dois novos fundos de capital semente, o Criatec 3, criado pelo BNDES, e o Fundo Sul Inovação, com apoio da Finep. Somados esses fundos poderão investir até R$ 250 milhões em projetos de empresas inovadoras com grande potencial de crescimento e lucratividade. Temos atenção também na produção de energia de fontes renováveis, que também não deixa de ser inovação. Enfim, estamos atentos ao mercado e às necessidades dos empreendedores.

Recentemente a Fomento Paraná anunciou a liberação de mais R$ 5 milhões para taxistas. Pelo visto é uma linha de crédito muito bem aceita.

Juraci Barbosa Sobrinho — Em três anos temos pouco mais de 1.500 veículos financiados e cerca de R$ 54 milhões contratados. Novamente, podemos dizer que a Fomento Paraná ajuda a indústria automobilística a criar ou manter empregos, inclusive nas concessionárias. Ajudamos a colocar carros mais novos nas ruas, com mais conforto e segurança para motoristas e para os usuários do serviço de táxi. Também são veículos menos poluentes, o que é bom para o meio ambiente. E como os juros são baixos, o motorista tem uma lucratividade maior na prestação de serviço, melhorando a renda da família.

Tem mais novidades no âmbito do crédito?

Juraci Barbosa Sobrinho — É preciso ter novidades para oferecer sempre. A Fomento Paraná está se preparando para oferecer a linha de crédito MPE Aprendiz, com recursos do BNDES, para capital de giro para empresas de micro e pequeno porte. Lançamos uma linha de capital de giro recentemente. Foi um excelente evento com o governador Beto Richa e a participação de entidades do setor privado. Mas é preciso ter sempre uma alternativa a mais para o empreendedor.

Também estamos entrando na linha BNDES Saúde, que tem foco em oferecer crédito para instituições filantrópicas ou beneficentes da área hospitalar. Também estamos colocando R$ 10 milhões em recursos da linha Banco do Empreendedor Micro e Pequenas Empresas à disposição de emissoras paranaenses de rádio AM, para financiar projetos de migração para a faixa de frequência FM. O objetivo é custear o investimento das emissoras em equipamentos e reformas da estrutura física para passar a transmitir o sinal em FM, operando em novas faixas de potência.

E também estamos trabalhando em conjunto com o Governo do Estado para aprovar três fundos estaduais de apoio às Micro e Pequenas Empresas, que são o Fundo Garantidor das Micro e Pequenas Empresas, o Fundo de Aval e o Fundo de Risco. Como diz a propaganda, “O Paraná não para”. É isso que estamos fazendo.

Qual é a grande dica para quem quer empreender, quando se pensa no crédito?

Juraci Barbosa Sobrinho — A melhor dica é sempre planejar. Tem que colocar tudo no papel, antes de começar um empreendimento. Somente assim você vai conseguir ver tudo o que é preciso, saber o que falta, quanto custa, quanto tempo demora para o fornecedor entregar. Saber quem é o seu cliente, verificar se o seu ponto comercial é apropriado para aquela atividade. Quando se faz isso dá para ter uma ideia de quanto dinheiro é necessário. Ou quanto dinheiro falta nas suas contas. O brasileiro tem uma cultura de querer começar um negócio sem ficar devendo. Ele junta as economias e investe. É um erro na maioria das vezes. Porque o dinheiro acaba antes de o negócio estar no ponto certo de dar retorno, ou mesmo antes de abrir as portas.

Nessa hora, quem não tem informação acaba entrando no cheque especial, no cartão de crédito, que é um dinheiro extremamente caro. O mais adequado é fazer o planejamento e guardar o dinheiro que você tem na mão para usar depois. Usar quando a empresa precisa ter capital para fazer giro, porque o capital de giro é muito caro. Para fazer o investimento, que precisa construir, reformar, comprar equipamentos, máquinas, um freezer, um balcão frigorífico, por exemplo, tem que buscar crédito de baixo custo, como as linhas de financiamento de uma instituição como a Fomento Paraná. No microcrédito, por exemplo, nós temos taxas de juros a partir de 0,67% ao mês. É um custo que cabe no orçamento do empreendedor, porque é um recurso que é planejado. Essa é a dica.

4 Comentários

  1. …Já imaginaram uma auditoria bem feita…!!!!!…
    …Ou uma denuncia ?????…aliás sendo ensaiada…?????….
    ….Essa sem até 2018…!!!!!….

    .prof. pn.

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