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‘Eu quero retribuir tudo que Curitiba fez por mim’, diz Ney Leprevost

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Em entrevista ao jornal Metro desta segunda-feira, 22, o candidato a prefeito de Curitiba, deputado Ney Lepervost (PSD), diz que “quer retribuir tudo que Curitiba fez por mim”. “Trabalhando com muita dedicação, honestidade, seriedade e competência para fazer com que Curitiba entre no caminho da inovação com solidariedade, da modernidade com respeito ao meio ambiente, do desenvolvimento com justiça social, para que os serviços públicos municipais sejam melhores, e as pessoas possam ter uma vida mais feliz”.

Leia a seguir a entrevista na íntegra.

Experimentado na política, Ney Leprevost (PSD) se apresenta para a sua sexta disputa eleitoral em Curitiba, a primeira para um cargo no Executivo. Confira as propostas dele na segunda entrevista do Metro Jornal com os candidatos à prefeitura.

Por que o curitibano deve votar em você?
Eu nasci em Curitiba, cresci em Curitiba, me criei em Curitiba, estudei em escola pública em Curitiba. Crio meu filho Pedro, de cinco anos, em Curitiba. Tenho um profundo amor por esta cidade. Fui o vereador mais votado de Curitiba, e graças à generosidade dos curitibanos, também o deputado mais votado. Eu quero retribuir tudo que Curitiba fez por mim. Trabalhando com muita dedicação, honestidade, seriedade e competência para fazer com que Curitiba entre no caminho da inovação com solidariedade, da modernidade com respeito ao meio ambiente, do desenvolvimento com justiça social, para que os serviços públicos municipais sejam melhores, e as pessoas possam ter uma vida mais feliz.

Como você imagina encontrar a prefeitura de Curitiba?
Segundo informações que recebi, que ainda merecem ser checadas, a prefeitura estaria endividada com uma dívida de mais de um bilhão de reais. Nas questões administrativas eu vejo um problema muito sério na ideologização que houve na prefeitura. Eu entendo que o prefeito distribuiu entre partidos que o apoiaram, inclusive o PT, funções importantes na administração do município. Nós vamos optar por fazer uma administração mais técnica. Vamos buscar pessoas inteligentes, preparadas, independente de ideologia, para compor nossa equipe.

O que foi ideologizado?
Por exemplo, nos primeiros anos da gestão, a saúde. O prefeito trouxe uma pessoa extremamente ligada ao PT, ao então ministro Padilha, e foi mudada a forma de se fazer saúde pública. Outro exemplo, a questão da saúde mental: também trouxeram uma pessoa que rompeu convênios com diversas clínicas, que eram referência. A saúde mental de Curitiba que era exemplar foi deteriorada e muitos dos moradores que estão nas ruas hoje são pacientes desassistidos da área mental. Outro dia eu conversava com o doutor André (Rotta Burkiewicz), presidente da Sociedade de Psiquiatria do Paraná, e ele me disse que não raramente ele encontra ex-pacientes seus perambulando, desassistidos.

Isso seria um dos motivos do aumento da população de rua?
A gente tem que deixar claro que existem também pessoas que vêm de outras cidade, alguns foragidos do sistema penitenciário ou que cumpriram suas penas e estão nas ruas. Mas existe uma grande parcela que são pacientes mentais desassistidos.

O que fazer para resolver este problema?
Olha, em primeiro lugar, em relação àqueles que são foragidos, nós temos que ter uma atuação mais firme do poder policial. Mas, de modo geral, eu tenho uma proposta que chama-se Casas Cristo. Nessas casas eles receberiam um bom jantar, poderiam passar a noite em segurança, teriam segurança para não serem esfaqueados durante a madrugada, como já aconteceu em estabelecimentos municipais.

Mas eles seriam também estimulados, em primeiro lugar, ao tratamento médico. Nós teríamos que colocar lá psiquiatras, psicólogos, especialistas das mais variadas áreas. Em segundo lugar, temos que detectar exatamente qual é o problema de cada um. E em terceiro lugar, e talvez mais importante, a oportunidade dessas pessoas aprenderem um ofício, irem trabalhar, com artesanato, marcenaria, carpintaria, para que ela assim que tiver o problema de saúde superado ou estabilizado, possa ser reinserida no mercado de trabalho e poder voltar a viver em sociedade.

As Casa Cristo tem a ver com igrejas, alguma parceria?
É a sigla de Centro de Recuperação e Inserção Social Temporária. Acho que nós podemos convidar igrejas, sejam evangélicas, católicas, qualquer que se disponha a ajudar será bem-vinda. Eu quero muito ter ajuda das igrejas na minha gestão, e de todas as religiões, não de uma especificamente. O Estado é laico, mas as igrejas podem ajudar neste trabalho social, até porque
elas são muito boas nisso.

O senhor ainda é da base de apoio do governo Richa?
Não, na verdade eu não sou da base de apoio. Quando o governador taxou os aposentados em 11% eu votei contra e isso criou um certo mal estar político. Depois, quando houve o problema dos professores, eu me posicionei de forma muito firme, enérgica e estive lá fora junto com o deputado Rasca, que foi mordido do meu lado, e também com o cinegrafista da Band. Vi pessoas sendo feridas com bala de borracha, e voltei e me expressei de uma forma muito dura em relação ao governo. Desde então eu estou distante politicamente da base. Embora, no âmbito pessoal, é evidente que quando encontro o governador eu sou um homem educado, ele também.

O relacionamento com governo hoje é importante por causa do transporte público. O subsídio é necessário?
Olha, não quer dizer que necessariamente, para ter a reintegração, tem que ter o relacionamento com o governo. Este subsídio foi instituído pelo governo Beto Richa para ajudar o Luciano Ducci, que era seu aliado. Claro que fica bem melhor e mais fácil para a prefeitura, se houver. E eu tenho um compromisso, do Ratinho Junior, que é o secretário de Desenvolvimento Urbano e que está nos apoiando de me ajudar nessa tarefa.

Agora, as minhas propostas para o transporte coletivo são bem polêmicas, porque, além de eu defender a reintegração, eu acredito também que nós podemos chegar a um cálculo que irá permitir a redução do preço da tarifa de ônibus, por incrível que pareça. A Urbs abocanha 15 centavos do valor da tarifa. Nós vamos ter que buscar maneiras de reduzir, enxugar, os valores que são utilizados pela Urbs, e com isto podemos reduzir de 10 a 20 centavos a tarifa.É fácil? Claro que não é fácil, ou qualquer um faria. E exatamente por não ser fácil que eu tenho muita vontade de trabalhar para conseguir alcançar essa meta.

A ideia do metrô está descartada?
Infelizmente a atual gestão perdeu esta oportunidade. O momento de agora não é de fazer essa promessa. Não é um compromisso que é possível assumir na campanha. Qualquer pessoa que tenha um pouco mais de conhecimento sobre a administração pública sabe que neste momento o metrô é inviável. Mas também entendo que Curitiba não deve deixar de pensar no metrô para o futuro.

O que você fará com Via Calma e Área Calma?
Muitos motoristas reclamam. Nós podemos pedir estudos sobre a possibilidade de se permitir que na Via Calma se possa trafegar com uma velocidade de 10 km/h superior à atual. Não mais do que isso. Mas esta é uma hipótese, não é um compromisso. O que nós vamos fazer é acabar com a indústria da multa em Curitiba. Hoje existe uma indústria para multar o motorista, para multar o proprietário de restaurante, para multar a pessoa que tem uma clínica. E isso tem a ver com a ideologização que ocorreu pela ligação forte do prefeito com o PT. Tudo é feito hoje para aumentar a arrecadação e a prefeitura coloca o empresário, o motorista, o cidadão muito mais como seus inimigos do que seus parceiros, o que é lamentável. Esta filosofia vai mudar radicalmente na nossa gestão.

Qual a sua opinião sobre o Uber?
É o assunto do momento. Mas o que é o Uber? Ele é um aplicativo de celular, mas é um aplicativo de celular que faz com que esses veículos todos possam estar aí à disposição das pessoas. Como é o assunto do momento, eu entendo que o atual prefeito, que é bem remunerado pelo contribuinte curitibano, tem que resolver o assunto. Estou aqui desafiando publicamente o prefeito Gustavo Fruet a resolver o assunto do Uber, a não deixar esta questão para o próximo prefeito. Resolva já, Gustavo. Você pode resolver o problema do Uber, você é o prefeito, você foi eleito para isso, você ganha bem para isso. O tema do momento tem que ser resolvido pelo prefeito do momento.

Mas caso ele não o faça, o que você faria?
Se ele não fizer isso até o dia 15 de setembro, daí eu conto como faria. Não vou dar de presente aqui, ensinar para ele a solução que eu tenho. Fruet tem uma tendência a deixar algumas coisas serem decididas na Câmara.

Qual a sua avaliação da gestão dele até agora?
Embora eu respeite muito o Gustavo Fruet (fiz essa brincadeira do Uber), eu gosto dele como pessoa, eu quero dizer o seguinte: como prefeito ele é ineficiente, sem posição, a gestão é fraca, a cidade está estagnada, está mal cuidada. E deixar as decisões 100% para a Câmara nada mais é do que agir como Pôncio Pilatos, lavando as mãos, acreditando que não se posicionando evita-se o desgaste. É isso que eu percebo. Agora, o Fruet como deputado federal que foi, este merece muito respeito. Acredito que daqui a dois anos, se ele for candidato a deputado federal de novo, talvez possa até ter o meu voto.

Quais apoios serão decisivos nesta campanha?
O que eu percebo é que as pessoas ainda não sabem que o Beto Richa está apoiando o Rafael Greca. E está. As pessoas ainda não sabem que o Ratinho Junior, por exemplo, está me apoiando. Eu acredito que nos bairros da cidade, principalmente na região Sul, o apoio do Ratinho Junior pode me ajudar muito. De qualquer forma, eu entendo que a transferência de votos não resolve a eleição. A vitó ria vai depender muito mais da performance de cada um dos candidatos, da credibilidade.

Acho que as pessoas têm que sentir no candidato simplicidade, sentir que ele está falando a verdade, que é autêntico. Aquele discursinho dos marqueteiros eu acho que não vai colar mais. A gente vê um grande exemplo de simplicidade, de humildade, que é o Papa Francisco. Quem conseguir se inspirar nele e falar com simplicidade para as pessoas, falar a verdade sem medo de dizer o que pensa, pode ganhar esta eleição.

Além do transporte, quais problemas o próximo prefeito vai ter que enfrentar?
Pelos pesquisas as duas maiores preocupações do curitibano são a saúde e segurança. O que está acontecendo é que você vai no bairro e a pessoa tem que ir para uma fila, às três horas da manhã, para marcar uma consulta. Isso tem que acabar. Vamos fazer com que a prefeitura possibilite ao cidadão marcar a consulta pela internet. Quem tem aplicativo de celular vai marcar pelo aplicativo, quem não tem, vai pegar um filho, um vizinho, uma amiga, e vai marcar pela internet. Só com isso nós já vamos dar uma sacudida imensa.

Outra coisa que nós vamos ter que fazer é integrar as informações. Por exemplo, se o médico de uma UPA encaminha um paciente para o Hospital Cajuru, não recebe sequer uma informação para saber se o paciente chegou. E aí tem uma coisa que é um sonho meu: eu quero fazer o PAI, o Programa de Atendimento Infantil. Nós queremos fazer uma grande clínica na zona norte e uma na zona sul da cidade, que sejam centros de referência de saúde da criança.

E na área de segurança?
O número de guardas municipais é insuficiente, nós vamos ter que aumentar o efetivo da Guarda Municipal e fazer com que ela também ajude no patrulhamento. Eu quero transformar os terminais de ônibus em locais 100% seguros. Hoje eu vejo muitas jovens reclamando, principalmente de assédio, e quase que de atos de violência dentro de terminais. Também existem gangues que fazem roubos em ônibus. Por isso, vamos criar um serviço reservado da Guarda, que irá atuar em ônibus. E o mais importante de tudo: dentro da estrutura da Secretaria de defesa social eu vou criar a unidade especial de combate ao crack, que eu diria que é um dos mais sérios problemas enfrentados pela cidade.

(foto: reprodução/Metro)

13 Comentários

  1. ricardo crovador Responder

    Se ama tanto Curitiba, permaneça deputado e traga recursos para a cidade. Ou então assuma algum cargo executivo de relevo, difícil, como fez o seu apoiador Ratinho. Do jeito que o Sr. está hoje em dia, seria uma tragédia para a cidade, ainda mais em tempos de vacas magras. Dá pra ver em diversas respostas que o Sr. ignora vários assuntos importantíssimos. Tem muita bobagem nessa entrevista. Juízo, Ney.

  2. Este é o meu candidato, Em seus vinte anos de vida pública, já mostrou que sabe fazer. Curitiba precisa de jovens empreendedores. É o “novo” para vencer “os de novo”.

  3. Parabéns Ney Leprevost, o senhor é o mais preparado para governar Curitiba. Me representa !!

  4. eleitor desmemoriado. Responder

    Então amigo Ney nos faça um tremendo favor, desista, porque depois daquela palhaçada em que se transformou em Cinderelo virou motivo de chacota.

  5. renato sovinski Responder

    muito bem ney vc é o mais equilibrado entre todas as opções, o mais sensato!! força!

  6. Ótimo candidato…tomara que os eleitores percebam isso. Se colocar pessoas tecnicamente gabaritadas na administração e aproveitar bem as pratas da casa irá fazer uma ótima gestão.

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