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Brasil está submetido
ao terrorismo do medo

artigo de Carlos Fernando dos Santos Lima

Em resposta ao artigo publicado na Folha de S.Paulo do último sábado, dia 1º de julho, sob o título “Janot dá a senha de combate para procuradores messiânicos”, de autoria de Demétrio Magnoli, só podemos dizer que o Brasil está submetido ao terrorismo do medo. Há muito os propagandistas políticos descobriram que o medo é mais forte que a esperança.

É mais fácil culpar o “outro” que admitir nossa falta. É fácil angariar apoio dividindo o país em esquerda e direita, em coxinhas e mortadelas, em isso e aquilo, esquecendo-se que somos parecidos uns com os outros.

A maioria de nós acorda pela manhã pensando em trabalhar para sustentar sua família, em como os impostos comem parte do nosso suor, em qual será o futuro de nossos filhos, e assim por diante. Somos semelhantes em sonhos e esperanças.

Por outro lado, ter esperança tornou-se brega. Falar em melhorar o país é tachado de messiânico. Lutar por essa melhora passou a ser jacobino.

Direita e esquerda falam em “tribunais revolucionários”, em “tribunais de exceção”, como se não fôssemos uma democracia –imperfeita, mas, ainda assim, uma democracia em que prevalece o Estado de Direito.

A Lava Jato representa a esperança. De repente, um golpe de sorte impediu a operação de ter sido morta no nascedouro e confirmou aquilo que há muito intuíamos.

Sabemos hoje como são financiadas as eleições em nosso país. Conhecemos agora como partidos e políticos enriquecem à custa dos impostos que pagamos.

Temos ciência dos conchavos, da distribuição de cargos apenas para a produção de propina. Agora há esperança de que, sabendo o diagnóstico de nossa doença –a corrupção–, possamos usar dos remédios para a cura.

Um desses remédios é a lei penal. E como lei, deve valer para todos. Obediente a esse princípio, a investigação de um pagamento de propina a um ex-diretor da Petrobras cresceu exponencialmente para revelar como partidos da base do governo Lula, sob o comando deste, usaram dessa estatal para fazer caixa para seus projetos de poder.

Mas não só, revelou-se logo que outras estatais foram vítimas do mesmo crime. Até aí o maniqueísmo de alguns e o oportunismo de outros encontravam alguma racionalidade. Para aqueles que detestavam o PT, estava claro que este partido tinha criado a prática da corrupção no governo federal.

Já os oportunistas viram a oportunidade de tirar o PT do poder. Para os simpatizantes do PT, não passava de trama das elites. Quanto aos petistas envolvidos nos crimes, acreditaram em intenções políticas dos investigadores.

Todos estavam errados. A resposta veio quando as investigações chegaram aos outros partidos, inclusive da oposição. Dessa forma, aquele Jucá que vai nas manifestações vestido de amarelo teve reveladas suas relações espúrias com a Odebrecht.

Aquele Temer que se colocou como um estadista para substituir Dilma na Presidência acaba sendo denunciado por corrupção no mandato. Aquele Aécio que usa das revelações da investigação para acusar o PT de corrupção na campanha presidencial é gravado solicitando milhões de um empresário.

Nesse momento os argumentos caíram por terra. Hoje a população sabe que a Lava Jato é uma tentativa séria de investigar, processar e punir TODOS os crimes de corrupção de que se tenha notícia, de que partido ou político forem. Só lhes restou mudar inteiramente o discurso.

Agora unidos entre si, políticos, partidos e seus simpatizantes atemorizam a população com terrores econômicos e um suposto “estado de exceção”. Mentem para implantar o terror, para novamente dividir. Mentem para se salvar e salvar o seu modo de fazer política.

O final desse embate entre esses mercadores do medo e o Ministério Público terá consequências para o futuro de nosso país, seja pela prevalência do medo e do divisionismo, seja pela prevalência da esperança e da ética.

8 Comentários

  1. Doutor Prolegômeno Responder

    Começou a temporada de pregações messiânicas com vistas às eleições de 2018. Há Jeremias e Robespierres de todos tipos, com ou sem bigode ou cavanhaque. Os pré-candidatos aproveitam as marolas da fama e vão ensaiando suas pranchas de isopor por sobre elas. Vanitas, vanitas…

  2. Jorge Hardt Filho Responder

    “Errar é humano” e botar a culpa nos outros é muito mais.
    Parabéns pelo artigo. Brilhante. Para muitos a verdade incomoda.

  3. Lava Jato representou sim uma esperança de melhora concordo mas de quem foi a culpa da perda de sua credibilidade se não foi exatamente dos justiceiros que se deixaram levar pela ansiedade de serem os heróis de um povo já sem esperança e preferiram fazer seletividade entre bandidos cheirosinhos e bandidos maus cheirosos e com isso com o passar do tempo ai sim criou-se uma richa entre os coxinhas e os mortadelas já que um lado começou perceber que só no outro tinha bandidos e com isso criou-se sim a divisão do povo. Ninguém estava errado levou-se quase 3 anos para se chegar nos outros partidos e isso aconteceu graças ao STF., e não teve nada com a turma da lava jato e que se fosse por eles hoje Aécio ainda estaria sendo visto como o próximo salvador da pátria. Chega a ser patético a afirmação que sabemos hoje como são financiadas as eleições, por amor de Deus sabemos disso desde que nos entendemos por gente isso a quase 50 anos por que essa surpresa agora . E para finalizar a Lava Jato não representa mais uma esperança já que não tiveram a imparcialidade que deveriam ter e o povo só esta esperando uma coisa disso agora ou seja que se prendam todos independente de que partido seja ou larguem todos para que continuem o carnaval como era antes por que todo mundo sabia quem financiava essa festa e pode ter certeza que a maioria do povo também gostava de tirar sua casquinha nas eleições o povo pobre atrás de gasolina, dentadura , remédio, o povo de classe média atrás de bolsas de estudos, empregos no estado e o povo rico sempre sonegando e procurando grandes acordos com os governantes para ficarem mais ricos ainda. Resumindo nesse país não tem ninguém otário são todos inteligentes cada um a seu modo inclusive justiceiros, politicos, jornalistas, médicos. advogados, pedreiros, lixeiros todos com o seu preço é só saber chegar e infelizmente isso faz de nosso Brasil um país atrasado perante algumas nações desenvolvidas.

  4. Sergio Silvestre Responder

    Se o Joesley fizesse a delação em Curitiba,tudo iria por debaixo do pano,ou só a parte que interessa a esses procuradores que amavam o Aécio iria ser divulgados.

  5. Parabéns Sr Rock do comentário acima, este sim brilhante enquanto não chegarmos a este entendimento….., sem saída. Muito bom

  6. Poderíamos trocar a expressão de “procuradores messiânicos” para “procuradores midiáticos”. E em especial o próprio Carlos Fernando dos Santos Lima, que hoje trava uma aguerrida batalha com o procurador Deltan Dalagnol por degraus de celebridade, deveriam aparecer menos do que seus próprios investigados. Quando eles recebem medalhas e honrarias, como o próprio juiz Sérgio Moro, podemos lembrar as mais altas comendas da República já foram entregues a condenados como José Genoíno, José Dirceu, entre outros. O Brasil é realmente o país das fantasias patrióticas, a começar pela faixa presidencial, tão ridícula como inútil. Imagina Angela Merkel ou um Macron ostentando aquele berloque. Ao falar em “terror para dividir”, o procurador vai além do messianismo denunciado por Magnoli, se torna irresponsável, inconsequente. E mais leviano ainda quando cita gratuitamente como “exemplos” o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, dois políticos apenas citados por delatores em busca do prêmio maior que a instituição da delação pode brindar bandidos. Carlos Fernando não é o único, mas trabalha todos os dias – desesperamente – para comprometer a a Jato. Este rapaz poderia já ter aprendido alguma coisa com o juiz Sérgio Moro.

  7. eleitor desmemoriado Responder

    O cara está certo, aqueles imbecis que ainda insistem em nos dividir em coxinhas e mortadelas querem é que tudo fique como está. Os que estão no Poder querem nele ficar e, os que foram dele enxotados querem voltar, aí vem com este terrorismo, sempre apostando na nossa divisão. Chega desta gente, já provaram que só servem para roubar e corromper, mas um perigo começa a despontar no horizonte, o Velho travestido de Novo, a salvação da Terceira Via.

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