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O relator da reforma política: de cargo na CBF a patrimônio que se multiplica

Foto Lula Marques/AGPT

O Estadão fez uma matéria apresentando o deputado Vicente Cândido, do PT de São Paulo, que é relator da reforma política – o mesmo que tascou a ‘emenda Lula -, diretor de Relações Internacionais da CBF e tem patrimônio que saltou de 170 mil em 2006 para R$ 2,2 milhões em 2014.
Conheça.

Diretor de Relações Internacionais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cargo pelo qual recebe um salário de R$ 35 mil mensais (que se somam aos R$ 33,7 mil do salário de parlamentar), Cândido é também um dos líderes da chamada “bancada da bola”.

Até o ano passado o petista era sócio do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, em um escritório de advocacia. O dado curioso é que a sociedade começou em 2007, quando Cândido se formou em direito. No mesmo ano ele foi nomeado vice-presidente regional do ABC na Federação Paulista de Futebol, então dirigida por Del Nero.

Em tempo: depois da graduação, o deputado fez uma pós em direito tributário no Instituto de Direito Público (IDP), onde foi orientando do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas porque Del Nero convidaria um recém formado para ser seu sócio? “Fiz estágio antes. Eu já trabalhava com matéria tributária no Parlamento e tinha muita relação criada”, afirmou o deputado ao Estado.

Segundo o petista, a sociedade com Del Nero terminou para que os negócios não fossem prejudicados. O presidente da CBF é investigado pelo FBI (equivalente à Polícia Federal dos Estados Unidos) por suspeita de receber propina em negociações envolvendo direitos de TV.

“O meu nome estar junto do dele nessa conjuntura política atrapalhava o escritório. Nossos nomes caíam em matérias sensíveis na mão de juízes. Não valia a pena. Sugeri que ele saísse também”, disse. Procurado por meio de sua assessoria, Del Nero disse que não iria se manifestar.

O salto político de Cândido ocorreu em 2010, quando ele se elegeu deputado federal. Dois anos depois assumiu a relatoria da Lei Geral da Copa do Mundo no Brasil. Nessa função, assumiu a mediação envolvendo delicadas e tensas negociações para o torneio no País. Cândido, por exemplo, alterou o Estatuto do Torcedor para permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, como queria a Fifa. A partir daí, ampliou seu trânsito com parlamentares de diferentes agremiações partidárias.

Atualmente, o leque de atuação de Cândido na Câmara é amplo. Integra o “lobby” da legalização do jogo, protagoniza a defesa de anistia ao caixa 2 e foi um dos idealizadores da campanha de Maia à Presidência da Casa.

“A relatoria da reforma política foi um dos pontos que negociei com Rodrigo Maia para arrumar votos para ele no mandato tampão. Em troca, ele precisaria dar espaço para o bloco de oposição. Então ele deu relatoria para o PT e disse: ‘Vai você, que tem uma relação mais ampla’. No segundo turno arrumei uns 32 votos no PT para o Maia do total de 58”, contou o petista (mais informações na pág. A8). “Ele não foi escolhido por isso, mas de fato foi um dos primeiros deputados a defender meu nome. É meu amigo”, disse Maia ao Estado.

Bens. O patrimônio declarado por Vicente Cândido à Justiça Eleitoral aumentou nove vezes nos últimos nove anos (já descontada a inflação do período). Em 2006, o então candidato a deputado federal declarou possuir pouco mais de R$ 170 mil.

O bem de maior valor, na ocasião, era um apartamento na Vila Andrade, que ele declarou por R$ 148 mil.

Quatro anos depois, seu patrimônio declarado já havia mais que triplicado nominalmente. Em 2010, Cândido declarou possuir R$ 522,9 mil em bens. Nesta declaração, ele informa um aumento do que dispunha em espécie: R$ 292,7 mil em contas correntes. Quatro anos antes havia declarado ter pouco mais de R$ 11 mil em espécie.

Na prestação de contas da campanha de 2014, o patrimônio declarado de Cândido saltou para R$ 2,12 milhões.

Racionais. Cândido já se arriscou como empreendedor. Foi dono de padaria na periferia de São Paulo, vendida recentemente. Aos 58 anos e nascido em Vargem Alegre, Minas Gerais, ele chegou à capital paulista em 1970, ainda criança.

Sua militância política começou nos grupos de juventude da Igreja Católica na Zona Sul de São Paulo. Durante a gestão da prefeita Luiza Erundina (1989-1993), foi administrador regional do Campo Limpo e presidente do PT paulistano – sempre alinhado ao Campo Majoritário.

Na juventude, foi criado junto com os integrantes da banda Racionais Mc’s, que fizeram comícios para ele em 1994. No começo da carreira era um político radical, mas foi mudando de perfil. Hoje se orgulha de ser próximo de João Doria, prefeito de São Paulo (PSDB), do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e, claro, de Lula.

Colaborou com a matéria Marianna Holanda.

1 Comentário

  1. Você nunca ouviu Vicente Candido usando o microfone da Camara como megafonte de gremio estudantil. Ele é o moita. Um clássico, mas inusual no PT. Se alguém esteve envolvido com a entrada clandestina no Brasil do falecido Boris Berezovsky, procurado pela polícia planetária. O capo russo, entre suas mais leves condenações, inclui assassinato. Com ajuda de Dirceu, Candido queria fazer um encontro do de Boris com Lula. O cara queria pedir asilo político. Só isso.
    Ele, Cândido, é da turma do José Dirceu. Bagrinho mas ocupa papel de operador-chave no futebol. Era vice até outro dia de Vicente Del Nero, foi relator da Lei Geral da Copa, por isso mesmo está mais do que afogado na Lava Jato. Mas veja aqui alguns outros detalhes: https://blogdopaulinho.com.br/2009/08/19/o-esquema-sujo-entre-corinthians-pt-e-a-mafia-russa/

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