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“É um pau mandado”, diz
Janot sobre Segóvia

Jornal do Brasil

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot rebateu, na noite de segunda-feira (20), as declarações do novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, que havia afirmado durante sua posse que a investigação sobre a mala com R$ 500 mil entregue pela JBS ao ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, foi encerrada antes do tempo. Segóvia afirmou ainda que “uma única mala” não daria a “materialidade criminosa” necessária para resolver se havia ou não crime, e que havia “interrogações” sobre a investigação.

“A pergunta que não quer calar é: ele se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?”, disse Janot, acrescentando: “O doutor Segóvia precisa estudar um pouquinho direito processual penal. Nós tínhamos réus presos. Em havendo réu preso –se ele não sabe disso é preciso dar uma estudadinha–, o inquérito tem que ser encerrado num prazo curto, e a denúncia, oferecida, senão o réu será solto. Então, nós tínhamos esse limitador. Ele é mesmo um pau mandado”, disse Janot.

O ex-PGR prosseguiu: “Não era um preso qualquer, era um deputado federal [Rocha Loures] que andou com uma mala de R$ 500 mil em São Paulo, depois consigna a mala [devolve à polícia]. Faltava 7% do dinheiro, ele faz um depósito bancário para complementar o que faltava e o doutor Segóvia vem dizer que isso aí é muito pouco? Para ele, então, a corrupção tem que ser muita, para ele R$ 500 mil é muito pouco. É estarrecedor.”

Janort reforçou ainda que todos os atos de investigação foram feitos a pedido da PGR, com autorização do Supremo e realizados pela Polícia Federal. “Ele está negando esse trabalho de excelência da PF em matéria de investigação”, rebateu o ex-PGR, que acrescentou ainda que a segunda denúncia contra Temer, sob acusação de liderar organização criminosa e obstruir a investigação, também foi embasada em relatório da PF.

“Quanto à ‘açodada’ segunda denúncia, o inquérito foi concluído e relatado por um excelente delegado da PF. Eu recomendo ao doutor Segóvia a leitura atenta desse relatório que aponta crime e sua autoria, ao contrário do que ele disse. A nova administração do DPF [Departamento de Polícia Federal] é contrária à parte técnica do DPF?”, disse Janot.

O ex-procurador-geral também comentou as críticas de Segóvia à delação dos executivos da JBS, O doutor Segovia avança sobre duas decisões do STF [favoráveis à homologação da delação]. Ele se julga, além de juiz do Ministério Público Federal, também juiz do Supremo? Explicar o quê [sobre o acordo]? Esse moço se acha acima de todas as instituições, e ele é só diretor da Polícia Federal, uma instituição respeitadíssima, mas vinculada hierarquicamente ao ministro da Justiça e ao presidente da República, que, aliás, estava na posse dele. Nunca vi um presidente da República ir à posse de um diretor-geral”, disse Janot.

8 Comentários

  1. Em nenhum momento Segovia disse que 500 mil é pouco dinheiro para se aferir culpabilidade de Temer ou de quem quer que seja!
    O que ele disse foi o seguinte: A mala de dinheiro, por si só, não representa prova alguma contra Temer, até porque ela não foi entregue ao Presidente. Para aferir eventual CULPA de Temer, a mala de dinheiro NÃO BASTA, pois é preciso ELEMENTOS OUTROS DE PROVA para caracterizar a culpabilidade!
    Mas, aí me vêm um Janot com evidente má fé (e logo atrás uma PENCA DE IGNORANTES, inclusive os Antagonistas) a dizer que Segóvia achou pouca grana na mala para caracterizar crime!
    Haja paciência com gente estúpida desse naipe!!!!

  2. Ele diz isso porque o projeto de poder deste senhor de ventre avantajado, certamente, era subordinar a PF a seus interesses e transformá-la em polícia política, sem dar satisfação para ninguém. Se o golpe que tentou desse certo, talvez isso tivesse acontecido.

  3. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI Responder

    Quer dizer que entrar no Palácio pela porta dos fundos, com nome falso e ser atendido pelo Presidente da República, não caracteriza nada. Isto posto, o homem de confiança do Presidente é pego com uma mala de dinheiro. Será que para se caracterizar crime do Temer ele teria que ter sido filmado contando o dinheiro.

  4. Realmente o novo chefão da PF mostrou que está afinado com o presidento, a quem prova que deve o cargo. Foi mesmo uma pena a declaração dele a respeito da tal mala com os 500 mil reais, se ela não é indicio de crime então não sei mais o que é crime. Mas o ex-PGR não tem moral nenhuma para falar em combate à corrupção, ele sim era pau mandado da infeliz.

  5. Para Temer ser considerado destinatário do dinheiro, O MÍNIMO que se esperaria era QUE JANOT E FACHIN interrogassem Rocha Loures!!

    Por que liberaram o homem da mala SEM INTERROGÁ-LO? Janot e Fachin estão com MEDO do que Rocha Loures tem a dizer?

    A PF TEM OBRIGAÇÃO DE INTERROGAR ROCHA LOURES, URGENTEMENTE!!

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