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As muitas questões da nova Igreja Universal

O maior templo religioso de Curitiba, será inaugurado no domingo, dia 26 de novembro. A capacidade é para cinco mil pessoas sentadas. Ainda não tem alvará, ainda não completou a burocracia das licenças obrigatórias, ainda não terminou as obras de contrapartida combinadas com a prefeitura. Mas já recebeu visita e propaganda de Rafael Greca, também já usou a tribuna da Câmara de Vereadores para fazer publicidade e já confirmou presença do bispo Edir Macedo para a inauguração.
Os padrões estéticos do prédio são o que conseguimos ver de reprovável nesta história, todo o resto se esconde nos gabinetes.

Do Paraná Portal,

Prefeito diz que igreja terá as licenças
O prefeito Rafael Greca (PMN) publicou nessa segunda-feira (20) em sua página no Facebook um vídeo para enaltecer a inauguração.
“Fui conhecer a fabulosa construção do Templo Maior da Igreja Universal do Reino de Deus. O espaço é realmente muito bonito! Essa obra ajudará a revitalizar essa região da cidade, no Rebouças, renovando a estrutura urbana do bairro do Vale do Pinhão. Comigo, os bispos Sidnei Marques e Aroldo Martins; o vice-prefeito e secretário de Obras Públicas, Eduardo Pimentel e demais membros da Igreja”, escreveu na postagem acompanhada do vídeo.
O prefeito não mencionou a ausência de alvará do empreendimento na inauguração, mas garantiu que a igreja “terá todas as licenças da prefeitura”.
“A igreja está realizando as obras mitigatórias, ao contrário do que alguns mal-intencionados na internet e na imprensa estão fazendo publicar”, declarou no vídeo.
O presidente da Associação de Bares e Restaurantes de Curitiba (Abrabar), Fabio Aguayo, publicou nota para reclamar do que chamou de “dois pesos e duas medidas”.
“Onde está a Fiscalização da Prefeitura e do Estado do Paraná? Onde estão os agentes públicos do Balada Protegida e Ação de Fiscalização Urbana- AIFU? Se alguma Autoridade for na inauguração, abre precedente ou é conivente, e não pode exigir de nenhum outro segmento, tratamento diferente na cidade”, diz trecho da nota.

Obrigações

Antes da inauguração, a Igreja deveria cumprir sete exigências da Prefeitura para diminuir o impacto da obra na região.
São calçadas e estruturas de rua, na João Negrão, Getúlio Vargas e Piquiri; e semáforos na João Negrão e nos cruzamentos da Piquiri com Getúlio Vargas, Piquiri com Engenheiros Rebouças e Piquiri com Brasílio Itiberê.

Há também seis medidas compensatórias, para compensar impactos que não puderam ser diminuídos. São calçadas na Praça Afonso Botelho; revitalização de áreas verdes na Praça Ryu Mizuno, no Jardim das Américas; no Bosque Martim Lutero, no Boa Vista, e na Praça Professor Hildegard Schmah, no Portão.

Entre as outras medidas estão a produção de materiais gráficos institucionais e de divulgação; e aquisição de ingressos para a Arena Digital da PUC/PR para crianças e adolescentes participantes do Programa de Educação para a Sustentabilidade.

Em nota, a assessoria da Igreja Universal afirma que os benefícios do novo templo são inúmeros. Em uma região onde hoje imperam galpões industriais abandonados, o novo templo da Universal ajudaria a revitalizar e valorizar o bairro, além de gerar empregos no comércio local. São esperados cerca de 140 mil visitantes por mês no Templo Maior.
Segundo a Universal, durante a obra, foram gerados 905 empregos diretos e cerca de 6 mil indiretos. Para o funcionamento do templo, estima-se que 135 colaboradores vão trabalhar no local.

Questões estéticas, históricas e ambientais

Outros pontos já foram questionados no ato da construção da igreja em Curitiba. O estético, histórico e ambiental. Na época da venda dos históricos imóveis da Matte Leão para a Igreja, o Ippuc recomendou que houvesse preservação de ao menos dois sobrados adendos à antiga fábrica. As edificações, na esquina da Rua Piquiri, tem arquitetura com influência de art déco, e a igreja poderia usar dos benefícios dados a quem preserva.

A Universal afirma que o imóvel tombado será restaurado e utilizado pela igreja. Hoje, os sobrados, com inscrições da antiga Leão Junior, ainda não restaurados, estão pichados e servem de depósito da obra e abrigo para operários.

Sobre as regras para construção, a Igreja afirma que o projeto atendeu todas as exigências legais, empregando as mais modernas tecnologias da construção civil. Quanto à questão ambiental, diz a igreja em nota, “foram utilizados critérios suficientes para a certificação, por exemplo, pelo “Selo Acqua”, como a exigência da proximidade dos fornecedores dos materiais de construção para reduzir a emissão de carbono”. “Ou a captação de água da chuva para uso no ar condicionado, no reuso em vasos sanitários e para regar os jardins”.

Na questão estética, o prédio segue o estilo arquitetônico neoclássico, adotado em muitos templos da Universal. Em proporção maior, em um terreno com os quatro cantos à mostra, a Catedral da Fé se parece, por exemplo, com o prédio da instituição na Avenida Sete de Setembro.

A construção, iniciada em setembro de 2014, ocupa uma quadra inteira e tem acesso a algumas das principais vias da cidade: Avenida Presidente Getúlio Vargas, Rua João Negrão e Rua Engenheiros Rebouças. O quarteirão tem 16 mil e 300 metros quadrados, vendido por 32 milhões pela família Leão à Igreja Universal. O valor seria 6 milhões acima do preço de mercado.

A venda da Matte Leão para a Coca-Cola e a transferência da empresa para Fazenda Rio Grande deixou o prédio centenário desprotegido.

De todo o complexo fabril “Matte Leão”, criada em 1901, ficou em pé apenas a edificaçãoart déco, da década de 1930, na Avenida Getúlio Vargas com a Rua Piquiri. O pequeno prédio não é Unidade de Interesse de Preservação do Município nem tombado pelo Estado, mas graças à intervenção da Comissão de Avaliação Cultural, do Ippuc, o alvará de demolição foi indeferido, garantindo que a “Matte” não seja varrida do mapa.

O superintendente estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, José Luiz Dezordi Lautert, explica que não há até hoje manifestação de interesse federal para preservação de edificações na região. O Iphan trabalha apenas com a preservação do entorno da linha férrea na área de fábricas antigas.

“Como a gente trabalha com patrimônio cultural ferroviário a gente está fazendo um trabalho junto com a prefeitura para a preservação da paisagem ferroviária. O bairro do Rebouças é interessante porque ele é um bairro industrial que surgiu no entorno da linha férrea. É um bairro histórico. Tem mais importância em nível local, mas como a gente trabalha com preservação da memória cruz viária a gente tem algumas ações em conjunto”, conta Lautert.

O Iphan tem apenas um imóvel tombado nacionalmente em Curitiba, o Paço Municipal.Na região estão edificações de fábricas históricas de Curitiba, com a Ambev, Fiat Lux e Anaconda.

“Tem algumas fábricas ainda, a própria sede da Fundação Cultural. Mas, assim, para o tombamento federal teria que ser feita uma instrução, um estudo, para se mandado para Brasília para outra análise a partir do que estaria feito aqui [pela Superintendência do Iphan em Curitiba] e encaminhado ao conselho. Porque quem tomba é um conselho consultivo de representantes da sociedade civil. Se esse conselho tombar, o Iphan faz o registro”, explica o superintendente do Iphan.

A Prefeitura de Curitiba não respondeu se há uma política pública de preservação dos espaços ou um plano para alterar as características da região.

Procurados por meio da assessoria da prefeitura, os membros do Ippuc, das secretarias de Obras, Urbanismo e Meio Ambiente, não quiseram gravar entrevista.

11 Comentários

  1. A própria arquitetura bizarra dessa igreja prova que isso jamais seria obra de Deus.

  2. Pastor Alemão Responder

    Ó Senhor, fazei com que os servidores de Curitiba tenham reajuste, porque ficar com o salário congelado conforme anunciou o secretário de RH aos sindicatos, é muito sofrimento!

  3. Nós curitibanos e brasileiros, devemos lamentar mais uma vez. Na inauguração do Shopping Palladium todos os políticos se fizeram presentes e a construção não tinha alvará, contava com as autoridades e espantava os pobres das redondezas.
    Mesmo depois da terrível tragédia de Santa Maria , na Boite Kiss, onde houveram indícios de liberações de alvarás irregulares, vemos uma construção que receberá grande público com inauguração prevista, sem contar com alvarás ! qual deus vai proteger os frequentadores na hora da tragédia? Assim como vota mal, o povo reza mal. Abaixo ao poder e companheiros dos privilegiados SEM ALVARÁS e sem vergonhas de nosso país !

  4. Nós curitibanos e brasileiros, devemos lamentar mais uma vez. Na inauguração do Shopping Palladium todos os políticos se fizeram presentes e a construção não tinha alvará, contava com as autoridades e espantava os pobres das redondezas.
    Mesmo depois da terrível tragédia de Santa Maria , na Boite Kiss, onde houveram indícios de liberações de alvarás irregulares, vemos uma construção que receberá grande público com inauguração prevista, sem contar com alvarás ! qual deus vai proteger os frequentadores na hora da tragédia? Assim como vota mal, o povo reza mal. Abaixo ao poder e companheiros dos privilegiados SEM ALVARÁS e sem vergonhas de nosso país !

  5. Já passou da hora de acabar com a ridícula isenção de IPTU e demais impostos para esses malditos mercadores da fé!

    Esses “bispos de araque” não têm mais onde enfiar tanto dinheiro e ainda ficam sonegando impostos municipais, estaduais e federais?!?!

    Não se vê uma única obra de caridade desses larápios divinos, só essas obras “arquitetônicas” pra lá de horrendas. Deus tá vendo, e não deve estar gostando.

  6. O alvará foi instituido para a plebe, estes já não se submentem aos caprichos humanos, diante de uma administração frouxa, que se aconvarda em cumprir a lei.
    Resta nos o ministério público, intervir em razão do porte da obra, e milhares de vidas que irão ficar expostas nesta máquina de fazer dinheiro.
    Seria divino se na inauguração ocorresse algum incidente, provando que a burocracia e as regras não existem por acaso, em fim, a cidade pertence ao povo, independente de religião, partido, lei tem de ser cumprida sem exceção.

  7. Mas vocês esperavam o quê do Greca, ele não apareceu de conversinha com o dono de quase todos os ônibus da RMC depois de conceder um mega reajuste na passagem do ônibus? O cara só anda com gente “poderosa”. Licença é coisa que gente não-poderosa precisa tirar.

  8. PELO QUE EU LI NA BIBLIA JESUS NUNCA NA VIDA DELE RECOMENDOU QUE SE FIZESSE TEMPLOS FANTÁSTICOS PARA PREGAR A SUA PALAVRA???????????????????????????????

  9. Quanta bobagem nesta “matéria”. O ex-proprietário do terreno do Matte-Leão falou q o prédio não tinha valor arquitetônico nenhum, q era apenas um barracão de barro, prestes a cair, e q está se tornando reduto de usuário de crack.

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