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Alckmin terá 40 vezes mais tempo de TV do que Bolsonaro

Jair Bolsonaro, por sua vez, aposta nas Redes Sociais

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

As pesquisas ainda não registram, mas a eleição presidencial embicou para três candidatos principais: o sr. X do PT, a ser definido, mas já com a força eleitoral do ex-presidente Lula, contra Jair Bolsonaro, do PSL, ou Geraldo Alckmin, do PSDB. Isso projeta um segundo turno entre esquerda e direita e uma guerra entre Bolsonaro e Alckmin para ver quem chega lá contra o PT. Chova ou faça sol, o candidato do PT parece imbatível no Nordeste e deve colher os votos de Lula no resto do País. Já dá ao menos 20%, suficientes para jogar o partido no segundo turno numa eleição com tantos candidatos. Em sendo Fernando Haddad, agregue-se a boa vontade de não petistas da classe média escolarizada com um professor com jeitão confiável.

Partindo-se da premissa de que o PT estará no segundo, resta a outra vaga. Mais uma vez, Ciro Gomes foi uma boa promessa, mas derrota-se a si próprio pelo destempero e incapacidade de fazer política, de atrair apoios. E Marina Silva tende a, pela terceira vez, inflar no início, murchar no final.

Henrique Meirelles tem campanha azeitada, mas o candidato não ajuda e o MDB cumpre tabela. Álvaro Dias entrou no vácuo do PSDB no Sul, sem ampliar fronteiras. João Amoedo é um desconhecido após meses de campanha. Manuela Dávila e Guilherme Boulos, estão naquela do “tudo que seu mestre mandar”. Assim, sobram Bolsonaro, campeão nas pesquisas sem Lula, e Alckmin, campeão na batalha por alianças.

Bolsonaro consolidou-se entre os mais jovens, os homens, os ricos e os mais escolarizados (aliás, bastante curioso). Mas, segundo o instituto Ideia Big Data, ele não conquistou as mulheres, nada satisfeitas ao ouvir o candidato defender, por exemplo, que têm filhos e, ora, devem ganhar menos que os homens… Seu eleitorado masculino é três vezes maior que o feminino, que prefere o discurso ético e educativo de Marina.

Alckmin, vários pontos atrás de Bolsonaro nas pesquisas, tem potencial nesse eleitorado feminino, sempre mais desconfiado, mais cauteloso, e precisará converter o apoio do establishment em votos do eleitor e da eleitora com curso médio e superior. Todo o cuidado é pouco, porém, para transformar a aliança com o Centrão em ativo, não passivo. Seu ponto forte, particularmente no contraste com Bolsonaro, foi destacado pelo empresário Josué Gomes da Silva, ao recusar a vice, mas anunciar apoio: “Prova de sua (de Alckmin) competência é a maneira firme, serena e eficaz com a qual tem conduzido o governo paulista em meio à gravíssima crise que enfrentamos.” O Brasil e os Estados estão em petição de miséria, mas São Paulo resiste bravamente.

Em linguagem clara, Bolsonaro precisa atacar a alianças PSDB-Centrão, e Alckmin tem de convencer a D. Maria e a Mariazinha da importância de ter dez partidos, tempo de TV e força política. Presidentes sem sólida liderança no Congresso não têm governabilidade, não aprovam projetos fundamentais e ficam sujeitos até a ameaças de impeachment.

Mas, além de convencer o eleitorado feminino, que não embarcou na canoa de Bolsonaro, o candidato tucano terá também de furar a afoiteza do jovem eleitor e a irritação do eleitor escolarizado, encantados com o discurso antipolítica do ex-capitão do Exército. Alckmin terá uma arma poderosa: 40 vezes mais tempo de TV. Mas Bolsonaro tem o mais moderno arsenal de campanhas: as redes sociais.

Assim, as duas grandes apostas que se cruzam são: Bolsonaro está cristalizado ou vai esfarelar por falta de tempo na TV e de consistência nos debates? E Alckmin, que entrou definitivamente no jogo ao fechar o apoio de dez partidos, vai deslanchar ou continuar patinando pela resistência do eleitorado aos “políticos e partidos tradicionais”?

11 Comentários

  1. antonio carlos Responder

    Não sou eleitor do capitão mas acredito que este chegue no segundo turno e o candidato tucano não. Os tucanos são a outra cara da moeda, na outra está o pestismo, então como queremos nos livrar de um não vamos votar no outro. Esta é a nossa chance de nos livrarmos de vez destes canalhas.

  2. Terá tambem 40 v ezes mais votos, joga nada.

    Bolsonaro eh como um leao de treino, no treino é um leão, no jogo nao joga nada.

    So sabe fazer barulhio

  3. O fala mansa do Alckmin poderá falar sozinho no horário da propa-
    ganda eleitoral mas acho que vencerá o Bolsonaro.

  4. NA CORDA BAMBA Responder

    A propaganda eleitoral já está comprovada que não elege mais nin-
    guem. Tempo de TV um pouco menor não significa nada. O que se
    cristaliza entre os eleitores menos desmemoriados hoje são as atitu-
    des do cotidiano pré eleitoral que continuamos vendo diariamente.
    A última do Bolsonaro por exemplo de aparecer com uma criança
    no colo tambem fazendo sinal de uma arma pegou mal. O cara que
    deseja ser um candidatos menos sujo é falar menos e continuar agin-
    do como “gente” do povo. Pode até posar ao lado do esgoto na fave-
    la, porem precisa ser autentico e o Brasil ainda procura este cara,
    porque a seringueira por exemplo já desceu o morro há muito tempo…

  5. Tem que ter conteúdo pra falar.
    Em 2012 Ratinho Junior tinha alguns segundos em comparação com Luciano Ducci que ficou de fora.
    Ninguém vê televisão aberta mais, principalmente horário eleitoral, o que vai decidir essas eleições serão as redes sociais, onde Bolsonaro sabe explorar melhor do que todos, sem contar ainda a atuação dos chamados “Bolsominions” que farão muita diferença.

  6. Além do que no eventual segundo turno, os tempos são iguais para os dois candidatos.

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