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Ladrão de museu achava ‘de bom grado’ tirar obras do Estado

Folha de S. Paulo,
A foto de Laéssio Rodrigues de Oliveira, no melhor estilo “procura-se” do faroeste, tinha lugar de honra em algumas guaritas da Biblioteca do Museu Nacional. Vigilantes deveriam ficar espertos com aquele que ficou conhecido como o maior ladrão de livros raros do Brasil. Por ora, nada a temer: Laéssio está preso desde março, condenado a dez anos e sete meses de prisão pelo furto de raridades de lá e também do Museu Histórico Nacional, os dois no Rio (ainda cabe recurso). Onde a Justiça vê crime, o réu vê um ato de nobreza – e, vá lá, também de prazer.
“Tirar as coisas do Estado… Eu acho de bom grado. Porque a gente tem um Estado tão desmoralizado que não cuida do acervo […] que eu sinto é prazer de tirar essas coisas do ambiente público”, afirma em “Cartas para um Ladrão de Livros”, documentário de 2017 sobre sua trajetória. “Se eu tiro um livro em estado de penúria ali, em decomposição, o papel tá podre… Eu pego uma bosta daquela e vendo para um colecionador, e ele me paga às vezes um bom dinheiro, ele põe luva, perfuma o livro, higieniza, aquela frescurada toda”, Laéssio continua em outro trecho da obra.

CRONOLOGIA DO CASO
2004 – Laéssio de Oliveira subtrai oito gravuras de Emil Bauch da Biblioteca Nacional, mas só o furto de quatro é notado
nov.2004 – Ruy Souza e Silva compra um álbum de gravuras brasileiras na Maggs Bros., em Londres
jan.2005 – Souza e Silva vende oito gravuras de Emil Bauch para o Itaú Cultural
2014 – O Itaú Cultural inaugura sua mostra permanente, exibindo seis das oito gravuras
2017 – A Biblioteca Nacional nota que outras quatro obras de Bauch haviam sido furtadas em 2004
2018 – Laéssio escreve à Folha

(Fotos: Divulgação/Reprodução)

2 Comentários

  1. Carlao o bom ladrao Responder

    Mais um colega na faixa, se pelo me nos tivesse roubado o museu do fogo, terianos como recuperar algo.

  2. antonio carlos Responder

    Quem diria que um ladrão colaborou para a preservação da memória nacional. Será que os bens roubados foram queimados também? Se não o crime do ladrão deve ser perdoado, ajudou a preservar um pouco da nossa memória. Mas este incêndio pode dar iniciou ao saque de bens culturais, todo mundo querendo preservar, a sua maneira, estes bens , o Estado não cuida deles mesmo.

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