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Jornal chinês: ‘Brasileiros não estão dispostos a trabalhar como chineses’

A cultura brasileira faz o País ser “inapto para a manufatura” e a população brasileira não está disposta a ser trabalhadora como a chinesa. Os comentários foram publicados na noite da quarta-feira, 5, e são assinados pelo editorialista Ding Gang, no Global Times, um dos produtos internacionais do People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês. Gang é um dos editores do People’s Daily.
A origem de seu ataque é o New York Times e o fato de o diário americano ter comparado a China ao Brasil no que se refere aos desafios que ambos enfrentam para se desenvolver e evitar seus respectivos declínios. Para o chinês, a comparação “expõe a ignorância chocante do autor sobre a cultura do povo na China”.

O jornal americano mostrava como a ascendência do Brasil a partir de 2009 não se concretizou e apontava como a China tampouco terá um futuro brilhante diante das similaridades ao Brasil. No texto do NYT, o artigo diz que os deuses, antes de destruir um país, o qualificam como “país do futuro”.

Para o editor do jornal chinês, que diz ter passado três anos no Brasil e ter “entendido bem” os motivos da perda de força da economia nacional, “não se pode comparar Brasil com a China”. “Talvez os brasileiros e o autor acreditem no mesmo deus. Mas esse não é o mesmo que os chineses acreditam”, diz Gang, que também é um acadêmico.

“De fato, o Brasil nunca teve uma indústria manufatureira forte e sofisticada. Mas a questão básica é por qual motivo a China atingiu sua industrialização, enquanto o Brasil a abandonou e foi para a direção oposta? Isso não é apenas uma questão de economia ou instituição, mas de cultura”, argumenta o chinês.

Apontando que trabalhou em várias partes do mundo por 20 anos, o autor indica que a cultura é o “fator mais importante” para atingir a industrialização. “Isso inclui como as pessoas encaram seu trabalho, família, educação das crianças e acumulação de riqueza”, disse.

“Pode soar racista diferenciar o desenvolvimento baseado em cultura”, escreveu. “Mas, depois de ter morado no Brasil, você descobre a resposta. Os brasileiros não estão dispostos a ser tão diligentes e trabalhadores como os chineses. Nem valorizam a poupança para as próximas gerações, como fazem os chineses”, indicou. “Ainda assim, eles exigem os mesmos benefícios e bem-estar dos países desenvolvidos”, disse.

Essa não é a primeira vez que um jornal do regime comunista chinês ataca o Brasil. Logo apos a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, editoriais de meios de comunicação em Pequim mandaram mensagem ao novo governo, que havia criticado a China durante a campanha eleitoral.

No China Daily, também controlado pelo governo, o alerta era de que criticar Pequim “pode servir para algum objetivo político específico, mas o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair de sua pior recessão da história”, afirmou, em editorial. “Ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos EUA ao ser vocal e ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Trump”.

As informações são do Estado de S. Paulo.

7 Comentários

  1. Não falou nenhuma mentira. O Brasil tem a cultura do “jeitinho”.
    Até agora não conseguiu unir o povo para o progresso. A “Ordem” e “Progresso” não passam de uma frase para o país errado.
    Qual o tempo médio de um trabalhador em um emprego? Quem nunca ouviu um trabalhador dizer que quer trabalhar mas sem carteira assinada pq está “de seguro desemprego”.
    Não tem como melhorar essa cultura, que incentiva o trabalhador a ter raiva do empregador, os filhos à questionarem moralmente os pais, e os professores a se vitimizarem diante da classe.
    A China merece progredir. Mesmo com seus pr9blemas sociais, jamais chegará a ser como o Brasil, onde os problemas são mentais e educacionais.

  2. Rafael de Lala Reply

    Trata-se de uma situação que o país está revertendo aos poucos, fruto de nossa realidade cultural, de fato – tema profusamente estudado pelas ciencias comportamentais e já objeto de análises anteriores (Dante Moreira Leite, Viana Moog, – e atualmente, por Douglas North e Robinson/Acemoglu, etc.
    A emergencia de recursos naturais abundantes gera a chamada “doença holandesa”, que trava esforços em outros segmentos da economia.
    Ainda, parece que o país – e a América Latina em geral – anteciparam a importação do “estado de bem-estar social” dos europeus sem ter atravessado as etapas históricas do Velho Continente; disfunção que os asiáticos – em outra base cultural – souberam evitar.
    Mas esperamos que, com lucidez, o Brasil recupere sua trajetória anterior e volte a crescer, sob um novo governo de inspiração mais liberal (menos estatizante).
    Rafael de Lala, da Associação Paranaense de Imprensa e do Centro de Estudos Brasileiros do Paraná.

  3. Sapo Eletrico Reply

    Nao esqueça que a China é acusada de possuir mão de obra escrava e de fazer dumping mundo a fora..

  4. O mesmo País que “auxilia” os partido$$ a criarem legislação trabalhista atravancadista brasileira , são os PRIMEIROS a chamarem os brasileiros de preguiçosos

  5. Larissa Lopes Reply

    Brasileiro quando é criticado não sabe tirar proveito de como os outros países nos enxergam. Logo “ergue pra 10” e acha os “podres dos outros”. O Brasil não tem mão de obra escrava?? Então basta retirar uma certidão na PF de quantos inquéritos e procedimentos foram abertos nos últimos anos sobre condições análogas.
    A doutrinação na China foi de progresso. Colocaram na cabeça do povo que se trabalharem por 15 anos intensamente, o país poderá dar condições melhores às gerações futuras. E o povo chines está comprando esta idéia. Deixando briguinhas de lado. Parem de apontar o dedo e usem as criticas da segunda maior potência mundial como forma de melhorar, “povinho que se joga no chão pra cavar falta”.

  6. antonio carlos Reply

    De tudo o que o editorialista escreveu apenas concordo com uma coisa,
    quando diz que o trabalhador brasileiro exige os mesmo benefícios e bem-estar dos países desenvolvidos. Mas tal pretensão é fruto da Constituição Cidadã de 1988, ela criou direitos mas se esqueceu dos deveres.

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