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Jogo bruto na disputa do controle portuário no Paraná


O jogo é bruto. As acusações e denúncias, mais fake news na internet, mostram que a guerra pelo controle portuário do Paraná será crua e mais eivada de discursos emocionais que exposições fundadas na razão. A verdade é que essa discussão acirrada sobre a construção de novo terminal portuário em Pontal do Paraná e sua conveniência socioambiental esconde uma disputa de grandes interesses econômicos pelo controle portuário no Paraná. Enquanto o projeto do novo porto enfrenta a morosidade burocrática e a incapacidade de decisão dos governos, o capital chinês saltou à frente para empalmar a atividade de exportação e, por consequência, o controle direto e indireto da economia nesta área do planeta.

A empresa chinesa CMPort oficializou a compra do principal terminal de cargas do porto de Paranaguá, no Paraná, por R$ 3,2 bilhões. O porto paranaense é o segundo maior do Brasil (perde apenas para o de Santos, em São Paulo) e está localizado em ponto estratégico para escoamento de produtos agrícolas para a China, principalmente soja. A partir de agora, 90% das operações do porto passam pela estatal chinesa. Além disso, os asiáticos devem investir para realizar melhorias no terminal.

Para se decidir pelo investimento, os chineses fizeram uma exigência aos sócios nativos. Impedir que outro porto, especialmente o de Pontal do Paraná, passe a funcionar competitivamente com seu novo negócio. Isso explica a intensa campanha deflagrada contra o novo porto. Entre os chineses e empreiteiros paranaenses cooptados de um lado e o projeto do novo porto de Pontal de outro,abriu-se um espaço de conflagração que inclui como principal instrumento de ataque o uso de ONGs e entidades de defesa do meio-ambiente, dos indígenas, dos pescadores, dos catadores de mariscos, associações que, conscientemente ou não, se colocam a serviço da ocupação pelo capital chinês.

Nesse debate também deveriam entrar as populações da região que vivem sob penúria, com grande taxa de desemprego e miséria, que torcem pelo novo porto de capital nacional. Elas esperam que se abram oportunidades de empregos, de novas atividades e de melhoria geral das condições sociais na área. Mas, neste momento, são mais glamourosas as forças de defesa do meio-ambiente, que não têm constrangimento em usar as alegações mais fictícias, como o risco de um vazamento de petróleo ou de mudança das marés, para falar com uma sociedade que hoje dá mais importância aos furores de ecologistas que à situação social que pede o novo empreendimento.

8 Comentários

  1. Se estiver atendendo a legislação ambos podem coexistir e inclusive concorrer entre si, porque não? Dois portos concorrentes é ótimo para os custos do comércio internacional. Será que tem alguém pensando em reserva de mercado?!

  2. Em tempo: Como tem gente que reclama do Brasil ter financiado a construção do Porto de Muriel em Cuba.
    Será que esses reclamões não vão falar nada da venda de Paranaguá para os chineses. Parece que os chineses receberam o porto, com a promessa de reserva de mercado, estou enganado ou eles estão?!

  3. Paulo Bueno Netto Responder

    Impedir a operação do Porto em Pontal do Paraná é uma condição impensável.
    Alem de ato de corrupção, já que impede a livre concorrência, é contra todo e qualquer interesse pelo desenvolvimento do Estado do Paraná e do País, o Brasil!
    Abra o olho Governador. Nós os cidadãos merecemos coisa melhor!
    Sim ao Porto de Pontal.

  4. Campana, somente um adendo.

    A CMPort comprou o terminal de conteineres, onde NÃO são escoados os produtos agrícolas. O Corex (Corredor de exportação) é responsável pela exportação da soja a granel de Paranaguá e o controle é estatal (através) da APPA. A principal faixa do cais do porto possui 17 berços, sendo que a CMPort controla do AZ 215 ao AZ 217.
    Escrevo isso para não dar o entendimento de que os chineses controlam tudo que é escoado por Paranaguá.

  5. engenheiro Pontal Responder

    É uma idiotice gastar energia com o Porto de Pontal. Mais racional é aproveitar o dinheiro dos chineses e ampliar, modernizar o porto já existente. Pontal só vai perder com o novo porto: prostituição, crime, congestionamentos. Vejam o que acontece com Paranaguá. Os catarinenses de Balneário Camboriú não são bobos. Não querem nenhum porto de cargas.

  6. Paulo Henrique Rolim Responder

    Acompanho a coluna e parabenizo pela coragem e ousadia.

    Ainda colaboro como parnanguara que sou, com outros problemas que certamente não são aleatórios e seguem quase que despercebidos, a quantidade da disputa de terras nessas áreas de ZIPs e que certamente envolvem políticos poderosos e tradicionais neste âmbito, que passa muito além do mandato de cada um, muitos são empresários, prestadores de serviços, outros até agentes publicos, entre outros personagens, porém os chineses não somente da área portuária, cada vez mais, vão avançando para além das quatro linhas do gramado assim posso dizer, pois já estão na gastronomia, em franca expansão, onde o Iphan, e outros órgãos, simplesmente nada fazem, e por aí vai, …. a briga é muito além desta cortina de fumaça, ….

  7. antonio carlos Responder

    Mas data vênia, vamos e convenhamos, diante desta montanha de dinheiro despejada na mesa pelos chineses é muito pouca gente que consegue resistir. Daí o sonho do porto de Pontal do Paraná não vai virar realidade nunca. O dinheiro no país da Lava Jato ainda tem um poder de convencimento enorme e, associado aos furores de ecologistas aí a coisa toma contornos realmente demoníacos, o desemprego não sensibiliza este tipo de gente, muito menos o aumento da renda população com a geração de emprego. A coisa está mesmo feia para o pessoal de Pontal, será que ela não pode apelar para o governador?

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