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Marcos Nobre diz: “Bolsonaro tenta destruir as instituições por dentro”


Professor da UNICAMP e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) conversou sobre a crise no Governo Bolsonaro. Entrevista faz parte de série multiplataforma do jornal

“Bolsonaro teve que formar um Governo de guerra. Mas não é uma guerra contra o vírus, é uma guerra para se manter no poder. É isso que é repugnante”, afirmou Marcos Nobre, professor da UNICAMP e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), em entrevista para o EL PAÍS nesta quinta-feira. O filósofo acaba de publicar o livro Ponto Final – A Guerra de Bolsonaro contra a democracia (Todavia), em que analisa o Governo do presidente Jair Bolsonaro e a escalada autoritária no país. Para ele, Bolsonaro “tenta destruir as instituições por dentro”, e é preciso que as forças democráticas de direita, de centro e de esquerda se unam em torno da queda do presidente. O movimento deve ser similar ao das Diretas Já, que pediu por eleições diretas no final da ditadura militar, e do impeachment de Fernando Collor, em 1992.

O pesquisador acredita, porém, que esse horizonte de união ainda precisa ser construído. “Impeachment não é uma questão de vontade, é uma questão de construção política complicada. E é complicada porque nos últimos anos essa lógica de guerra fez com que essas forças políticas deixassem de confiar uma nas outras”, explica Nobre. Ele acrescenta ainda que as forças políticas serão “obrigadas” a conversar em algum momento. Mas, para que isso aconteça, a base da sociedade também precisa conversar e empurrar os partidos. “Essa negociação tem que começar na base da sociedade. Tudo bem que está difícil ter almoço de domingo, mas começa ali no almoço de domingo, no grupo de WhatsApp da família e dos colegas de trabalho”, afirma. “Não só temos uma crise sanitária, uma crise econômica e uma crise politica. Pela primeira vez também corremos o risco de perder a democracia. Então, tem que ficar claro que ou você junta todo mundo ou esse país vai se inviabilizar”.

Apesar das dificuldades, Nobre se mostra otimista ao dizer que a rejeição a Bolsonaro tende a aumentar ao mesmo tempo em que sua base de apoio tende a diminuir. Quando isso acontecer, completa ele, “as forças políticas organizadas, partidos políticos, movimentos de renovação, vão ser obrigadas a conversar”.

O filósofo frisa, contudo, que essa aliança do campo político não deve ser eleitoral e que cada partido e cada campo político precisa “resolver seus problemas e escolher seus candidatos”. Ele vislumbra uma em torno de agendas mínimas, como ocorreu na época do impeachment de Collor, que resulte em afastar o risco autoritário e a agenda econômica ultraliberal de Paulo Guedes, abordar “temas substantivos” como o da desigualdade social e “repactuar” as regras das regras do jogo democrático. “E isso passa pela pela reconstrução da convivência política e por fazer acordos mínimos sobre as linhas gerais do próximo Governo [de Hamilton Mourão] e sobre as eleições”, argumenta.

A íntegra da entrevista está disponível acima, na página do EL PAÍS Facebook e no nosso canal de YouTube. A entrevista foi conduzida pela editora-adjunta do EL PAÍS Brasil Talita Bedinelli e pelo repórter Felipe Betim. Participaram anteriormente da série de entrevistas do EL PAÍS o colunista Xico Sá, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador e ex-presidente Fernando Collor.

7 Comentários

  1. NÃO VOTE EM QUEM JÁ FOI Responder

    Este vermelhinho pode tirar o cavalinho da chuva. O Presidente tem o principal apoio para permanecer no cargo. O apoio do povo.

  2. Enquanto a educação brasileira for baseada no método freireano o resultado continuará sendo o mais desanimador possível, com o nosso país caindo ainda mais no ranking do PISA (Programa internacional de avaliação de alunos) com o desempenho pífio de nossos alunos, que em vez de priorizada uma educação formativa de fato e neutra, tem aulas de marxismo que corrompem a mente de nossas crianças e adolescentes em prol da revolução cultural e silenciosa que o italiano Antonio Gramsci propunha. Paulo Freire tem uma grande colaboração nesse resultado triste para o futuro de nosso país. Precisamos urgentemente de mais mentes pensantes no futuro para ajudar no crescimento de nosso país, não de mais soldados socialistas.
    Não são minhas palavras mas são sabias.

  3. Paulo Enéas Borges Bueno netto Responder

    Minha impressão por essa matéria?

    Parafraseando um sábio: Desejo para você esquerdista – A liberdade da Coreia do Norte, o salário de Cuba, a fartura da Venezuela e a justiça da China.

    E, é Bolsonaro que está destruindo as instituições?

    Eu penso que o Estado Brasileiro usurpa os cidadãos com excessiva taxação e tributação sobre nós, para alimentar salários de marajás ao funcionalismo e fecundar a corrupção em diversos níveis, que Bolsonaro tem capado.

    Me respondam! Por que a energia elétrica é tributada no ICMS em 29,..% ? Se eu, como cidadão, sou o dono da geradora, da distribuidora , da transmissora e nunca recebi dividendos! Por que somos furtados por tantos e inumerados impostos? Para pagar o salário desse professor acima? Quantos mais? Qual é o salário desse professor?

  4. Evaristo Mendell Responder

    Marcos Severino Nobre, matrícula 237574, salário bruto de R$ 22.818,86, fonte Portal da Transparência da Unicamp.

  5. Paulo Enéas Borges Bueno netto Responder

    Mensal: R$ 30.934,70 – esse é o salário do Presidente da Republica, conforme o Google.

    Ganhas bem em Professor? Salário bruto de R$ 22.818,86

    Cuidado com o salário de Cuba! Lá você vai comer carne de frango, uma vez por mês. Direito a um frango!

  6. PRONTO DETONEI Responder

    perfeito o comentario do PAULO ENEAS E DO EVARISTO MENDELL,
    este que se diz professor marcos nobre,so podia ser da unicamp mesmo
    ninho de esquerdista,e tem a usp tambem,nao sei como o colunista fabio
    campana,repercute opiniao desta gente, falo serio.

  7. LÍNGUA FELINA Responder

    Esquerdopata que nem vermelho fica diante da sua situação profissional. Ganha bem, dá soco na cara de todos… só pode ser irmão do Lula e FHC !!!

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