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‘Não houve nenhuma valorização’,
diz Coren-PR sobre trabalho de enfermeiros durante a pandemia

Banda B – Com mortes contabilizadas e milhares de casos confirmados, já são cinco meses sob risco para os profissionais de saúde na linha de frente de combate à pandemia de coronavírus. Segundo dados do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), obtidos pelo portal Observatório da Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), dez profissionais de saúde no Paraná já perderam a vida pela covid-19, mas pode haver subnotificação. Enquanto isso, o Coren-PR lamenta que, de uma forma geral, não houve a devida valorização aos profissionais.

“Os salários não modificaram em nada, mesmo eu colocando minha vida em risco, nenhum empregador pensou em rever o percentual de insalubridade em plena pandemia. Não tenho lugar adequado para descanso depois de desparamentado e assim vai. Então, eu confesso, o cenário é cruel para o profissional da Saúde por conta da pandemia. O vírus é invisível, se comporta de forma diferente e não se tem cura”, disse à Banda B a diretora do Coren-PR, Simone Peruzzo.

De acordo com Peruzzo, nas última semanas houve um aumento considerável nos casos entre profissionais de saúde, mas isso se dá também pelo aumento na testagem. “Com isso, o quantitativo acabou elevando. Chegou-se a ter um hospital com 120 profissionais afastados na linha de frente, como você fica para dar assistência só com os que sobraram? Cidades têm feito contratação por PSS, mas a maioria das pessoas faz o teste seletivo e não assume, porque pelo salário oferecido e o risco que corre é melhor ficar em casa”, afirmou.

Sobre falta de equipamentos de segurança, a diretora do Coren ponderou que isso está controlado. “Eu tenho recebido menos denúncias com relação a falta de EPIs. O que se questiona é a qualidade, mas não a falta”, destacou Peruzzo, comentando ainda que os profissionais da saúde não percebem ainda uma queda na procura por atendimentos relacionados à covid-19. “Ainda não. Estamos em plena bandeira laranja. Para nós continua ascendente no mês de agosto”, contou.

Por fim, ela fez um apelo ao curitibano, que mantenha as medidas de isolamento social para evitar que a situação piore. “Nossa preocupação é que as pessoas estão cansadas de usar máscara e tudo mais. Nosso sistema só não saturou pelo distanciamento social e medidas que foram tomadas pelas administrações para o aumento de leitos. Não houve colapso por isso, mas é preciso um compromisso da sociedade para continuar assim. Quando as pessoas relaxam, sobra para os profissionais da saúde que estão na linha de frente”, concluiu.

3 Comentários

  1. O pessoal de enfermagem assim como o pessoal da saúde, em geral, incluindo eu Eng Seg Trabalho e Tec Seg Trab, sofremos da famosa Síndrome do Goleiro.

    Vamos explicar o que é Síndrome do Goleiro.

    O goleiro, defende 100 bolas, salva o time de levar 100 gols.
    Entretanto, ele falha e deixa o time adversário fazer um gol.
    Ele não será lembrado pelas 100 bolas que defendeu, mas será lembrado
    pelo gol que levou!

    E é isso que acontece, o pessoal da enfermagem está na linha de frente, às vezes virando noites, abdicando o próprio contato com a família, pegando chuva e frio e por que não dizer, muitas vezes até passando fome e até morrendo, como informa o texto, 10 já morreram, para tratar dos pacientes.

    Mas de acordo com a Síndrome do Goleiro, eles só serão lembrados porque reclamam que não são valorizados durante a pandemia:-)

    Que Deus nos ajude,
    mas que nos ajude mesmo!
    Estamos apenas na metade da pandemia.

  2. O COREN-PR serve pra que mesmo?

    Os Conselhos não serve para nada, assim como os Sindicatos e congêneres.

    Arrecadam muito e elegem sempre os companheiros, se analisarmos, nos últimos 20 anos, vejam o que foi mudado, nada, apenas as sedes melhoraram e a atuação é a mesma. Só participam de Congressos e etc., com despesas pagas pelas instituições. É brincadeira deixar isso continuar.

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