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Apatia, ignorância e sistema eleitoral cruel são decisivos nas eleições

Faltam menos de três meses para a escolha dos prefeitos e vereadores. Nem parece, tamanha a apatia em relação às eleições. Culpa da pandemia? Sim, é possível que a circunstância tenha tirado a disputa eleitoral do centro dos interesses do cidadão. Mas há males endêmicos crônicos que contribuem: sistema eleitoral cruel, criado para manter o eleito longe do eleitor, e o voto obrigatório, que desobriga partidos e candidatos a se empenhar em campanhas de convencimento.

Hoje, o embate real, com participação ativa do eleitorado, só ocorre em pequenos municípios onde os candidatos pertencem à comunidade. Um privilégio restrito a apenas 15,5% da população que, segundo o IBGE, vivem em locais com menos de 20 mil habitantes.

Mais da metade dos brasileiros moram em cidades com mais de 100 mil habitantes e 30,2% em aglomerações de mais de 500 mil. Nelas, poucos são os eleitores que conhecem as propostas do político a quem dão o seu voto. Menor ainda é o grupo que lembra em qual vereador votou ou que cobra as promessas não cumpridas pelos postulantes. Não à toa, o voto distrital, puro ou misto, seria a solução para aproximar o eleitor do eleito.

O sistema misto poderia ter sido experimentado neste ano caso a proposta de José Serra (PSDB-SP), que chegou a ser aprovada no Senado, tivesse logrado êxito na Câmara. A ideia era aprimorar a representação testando o distrital na escolha de vereadores em cidades com mais de 200 mil eleitores. Depois, estendê-lo ou não ao pleito de deputados estaduais e federais.

Não vingou à época e tem chances mínimas de ser adotado por mexer na política rasa e de compadrio, nas quais o voto é tratado como troca de favores, e no poder hereditário – avô, pai, filhos, netos, bisnetos se elegendo pelo sobrenome. Tem-se assim gerações de políticos unidos pelo umbigo sem qualquer compromisso com o eleitor. O então deputado Jair Bolsonaro e seu zeros são um exemplo modelar dessa perversa distorção.

1 Comentário

  1. Foi a mídia partidária do vírus e os cientistas do horror que semearam o terror e o pânico que farão com que a abstenção seja recorde mundial. O doutor Jekill candidato ao Nobel da Globo, tísico e carcomido, que primeiro bradou que o vírus era uma gripezinha e depois se arrepende, agora fala da segurança das eleições… o Brasil é uma pândega…

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