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Não será por falta de tornozeleiras

Estranho, muito estranho, este episódio da licitação de empresa para prestar serviço de monitoramento de pessoas. Para driblar o imbróglio, o desembargador Nilson Mizuta, da 5ª Câmara Cível do TJ, determinou que a empresa Spacecomm Monitoramento S/A continue, por mais 90 dias, a prestar serviços de monitoramento por meio de tornozeleiras eletrônicas, nos termos do Contrato nº 592/2019, até que a empresa vencedora do procedimento licitatório, a Show Prestadora de Serviços do Brasil Ltda. assuma integralmente a prestação do serviço para o Departamento Penitenciário do Estado (Depen).

Em 2018, a Show Prestadora de Serviços venceu licitação pedida pelo Depen para o fornecimento de cerca de 10 mil tornozeleiras eletrônicas e monitoramento de condenados que cumprem pena em regime semiaberto. Todavia, ela foi desclassificada porque não comprovou habilitação técnica, apesar de ter apresentado o preço mais baixo (R$ 20 milhões). Em 2019, segundo decisão do juiz Guilherme de Paula Rezende, da 4.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, que considerou nulo o resultado da licitação, a Show não possuía os equipamentos licitados, mas os alugava da terceira colocada, a Synergye Tecnologia da Informação, caracterizando um caso de subcontratação – procedimento proibido pela lei das licitações.

O mesmo juiz, todavia, autorizou o prosseguimento do certame com a participação das empresas que figuraram em segundo e terceiro lugares – Spacecomm Monitoramento Ltda e Synergye, respectivamente – após a decisão final de um recurso ainda pendente junto à Presidência do Tribunal de Justiça. O TJPR confirmou a Show como vencedora da licitação.

Mas a Spacecomm foi chamada no ano passado a prestar o serviço – por um período de 90 dias – por causa do descumprimento do contrato por parte da Show, segundo o Depen. Com a nova decisão da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, Spacecomm vai fornecer o serviço e as tornozeleiras por mais três meses.

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