Uncategorized

Por que Ratinho Jr não quer filosofia, sociologia e artes na escola pública?


Antes de tudo, porque Ratinho Jr é coerente. Entusiasta da escola militar, baseada na disciplina rígida avessa ao livre pensar, Ratinho é o mesmo que quer rebaixar as matérias que ajudam a pensar e se expressar com liberdade. Simples assim. O que se trava nos bastidores é uma guerra de concepções do mundo e da sociedade. Neste governo o objetivo é a formação de homens disciplinados, portanto obedientes aos superiores ou chefes, bons produtores e nunca questionadores.

É um projeto de sociedade e que teve notórios defensores na história mundial. A ideia de Ratinho levada ao extremo é a da educação de hoje na Coreia do Norte, Mas vamos recuar no tempo, A primeira medida educacional de Franco, o ditador espanhol, quando chegou ao poder, foi acabar com humanidades nos currículos escolares. Não era uma iniciativa original, na verdade Franco copiava iniciativa idêntica de Benito Mussolini na Itália. Na outra ponta, regimes como o de Stálin e seus sucedâneos fizeram o mesmo.

No Brasil, basta lembrar que a ditadura militar acabou com os cursos de sociologia que formavam sociólogos. Manteve a cadeira de ciências sociais com importância subalterna nos currículos. Governos situados no espectro direitista menos esclarecido não admite liberdade de reflexão.

A reação a essa grave investida de um pensamento retrógrado na área educacional é apenas corporativa, de defesa de mercado de trabalho e que tais. Mas não deixa de ser necessária.

Especialistas das áreas de Filosofia, Sociologia e Artes, estudantes, lideranças sindicais, estudantis e políticas, entidades da sociedade, além de um grupo de deputados estaduais, participaram da audiência pública, que foi realizada por iniciativa da bancada da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) , liderada pelo deputado Professor Lemos (PT), nesta terça-feira (26), e concordaram que uma mudança na Matriz Curricular do ensino médio no Estado, com ênfase nas disciplinas de Filosofia, Sociologia e Artes, seria prejudicial para as escolas, professores e alunos.

“Queremos entender o motivo do Governo do Estado ter nos surpreendendo com a Instrução Normativa Conjunta nº 11/2020, da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, que modificou a Matriz Curricular do Ensino Médio na rede pública estadual de ensino do Paraná, a partir de 2021, que reduziu de duas horas-aula para uma hora-aula semanal a carga horária das disciplinas de Filosofia, Sociologia e Artes, o que empobrece a Matriz Curricular e não encontra respaldo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nos anseios da comunidade escolar”, criticou o deputado Professor Lemos.

O presidente da App/Sindicato, Hermes Leão, chamou a atenção, com essa redução, para o adoecimento dos professores, que segundo ele, vão precisar se deslocar entre escolas e ficarão sobrecarregados. “A carga horária dos professores brasileiros é uma das mais altas e penosas no mundo. Com essa política, isso deve piorar a situação dos professores“, alegou.

Paulo Vieira, presidente da Associação dos Professores Universitários da Universidade Federal do Paraná, avalia que a educação tem muito o que perder com essa normativa. “É que somos o estado que mais prontamente resolveu a formação dos professores de Sociologia. Tirar essa formação é retirar o direito de professores e dos alunos. Não somos contra a matéria de educação financeira, que se pretende incluir no currículo escolar. Mas como vamos ensinar quem vive de bolsa família a economizar dinheiro? Nesse atropelo, precisamos nos reunir e lutar contra isso. Vamos juntos lutar pela manutenção da nossa história na educação do Paraná”, defendeu.

Pela União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPE), falou a presidente Tais Carvalho. “Nós não queremos a redução da carga horária, mas escolas, que são espaços autônomos que garantam o debate de cultura, das artes. Por que o Governo quer reduzir disciplinas, ao mesmo tempo que aumenta o número de escolas cívico-militares?” , questionou.

Representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR), José Carlos Garcia Filho, disse que gostaria que a Normativa fosse submetida à análise da OAB, já que faltou diálogo com a sociedade. “A educação é um direito

Deliberações – Como encaminhamentos, a partir da audiência, o deputado Lemos propôs que as entidades recorram à justiça para barrar a Instrução. E ainda, como prevista no artigo 54 da Constituição Estadual e no artigo 39 do Regimento Interno da Assembleia, a suspensão da Instrução Normativa. “Podemos formar uma comissão para esse encaminhamento. E também propormos uma alteração na lei de 2006, que instituiu as matérias, para proibir a mudança na carga horária dessas disciplinas”, defendeu Lemos.

Outra forma de articulação prevista ao fim da audiência foi a convocação do secretário de Estado da Educação, Renato Feder para explicar os motivos da redução de carga horária.

Essa redução da carga horária das disciplinas de Sociologia, Filosofia, Artes nas escolas estaduais faz parte das mudanças na organização curricular, que passam a valer a partir de 2021, e são baseadas na Reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017, no governo do então presidente Michel Temer (MDB). As gestões estaduais, porém, têm autonomia para fazer adequações.

4 Comentários

  1. PORQUE SÃO INÚTEIS E NÃO AGREGAM NADA, SÃO MATERIAS DE DOUTRINAÇÃO DE IGNORANTES, ACOBERTADOS PELA MIDIA E PÓLITICOS CORRUPTOS.

  2. Deise Cristina de Lima Picanço Responder

    Somos totalmente solidários aos professores e alunos de Ensino Médio que questionam a retirada de Filosofia, Sociología e Artes da Matriz currícular, pois sabemos como os professores de espanhol têm sofrido com a precarização da oferta dessa disciplina desde a Reforma do EM. É preciso incluir também o direito aos estudos de línguas, que não somente a inglesa, nesse debate sobre as humanidades. Por uma educação plural e integral.

  3. Para ingressar em quaisquer escola de renome é necessário antes de tudo, ter proficiência em filosofia, sociologia, artes. Antiga Grécia berço da civilização deixou seu maior legado graças aos métodos filosófico, além das artes, mitologia etc
    Nomes como: Sócrates, Platão, Aristóteles etc, até os dias atuais são citados e, representam o que somos.
    Desconheço a formação deste governo e seus asseclas, no entanto, por seus atos e atitudes, seja de uma fidalguia sem base, apedeuta.
    Amputar disciplinas essenciais para formação do pensamento humano, seria retroagir aos tempos das cavernas. Entretanto, seus descendentes estão acomodados na educação que preza o conhecimento a luz, que nos diferencia das demais espécie: ARTE, FILOSOFIA E SOCIOLOGIA.

  4. Campana, sou seu leitor, e respeito seu ponto de vista, tive a oportunidade de conhecer seu irmão aqui em Foz , e sei também de seu direcionamento mais à esquerda. Respeito seu ponto de vista, mas acho prudente , ouvirmos porque o governador quer, se e que quer, tirar essas duas disciplinas da grade paranaense.
    Quando retiraram OSPB , lembra-se? organização social da política brasileira, não teve tanta defesa , de uma matéria imprescindível ao conhecimento dos jovens para politiza-los e saberem a função de cargos públicos e esferas de cada um.
    Quando vcs defendem arduamente , a filosofia e sociologia, qual critério que vcs usam? Vivemos aproximadamente 20 e poucos anos a escola de Paulo Freire, e me aponte qual avanço tivemos? Acredito que voce nem publique meu comentário, uma vez que critico essa escola de Paulo Freire. Olhemos os jovens de anos atrás e os de hoje. Além de servidor publico tenho empresas em 03 cidades do Paraná, e quando vamoa selecionar colaboradores , observo os alunos dessa escola de Paulo Freire. Nossos jovens sabem militar, bater panela, exigir escola pública, gratuita e de qualidade, mas nao sabem porque disso, falam mau do governo, mas nao sabem o que criticam. Flutuam em palavras de outros , em histórias que ouvem, mas nao tem experiência, em sua grande maioria.
    SOCIOLOGOS E FILOSOFOS so tem servido para registrar fatos, comentam situações do passado, mas deixam uma lacuna de 2002 até 2013 para criticar, alias elogiam.
    Mas meu colega, o direito ao contraditório, espero que vc permita publicar, e dar o direito se acaso isso for confirmado da SEED comentar o porque quer essa mudança.

Comente