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A vacina contra o Custo Brasil

O início da vacinação contra a Covid-19 começa a reduzir as incertezas sobre a economia brasileira, mas, mesmo com a imunização em massa, a retomada de um crescimento mais vigoroso do Brasil não virá espontaneamente. Será preciso, ao mesmo tempo, adotar medidas para retomar o ajuste das contas públicas, avançar na discussão das reformas estruturais e implementar políticas de estímulo a novos investimentos.

“A vacinação em massa vai garantir um retorno seguro ao trabalho”, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 25 de janeiro, ao participar de entrevista para divulgar os dados da arrecadação de tributos em 2020. “A vacinação em massa é decisiva; fator crítico para o bom desempenho da economia”, argumentou. No mesmo evento, Guedes reforçou a importância das reformas para melhorar o ambiente de negócios e a necessidade de acelerar as privatizações e simplificar a tributação.

“Vamos limpar a pauta. As propostas para destravar a nossa retomada estão lá no Congresso Nacional. Temos o desafio de transformar a recuperação cíclica baseada em consumo em uma retomada sustentável baseada em investimentos”, disse o ministro. Na avaliação da equipe econômica, a escolha de aliados para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai contribuir para o avanço das reformas.

Entretanto, segundo João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), é também “hora de o país estruturar uma política moderna de industrialização” que permita incorporar novas tecnologias da indústria 4.0. “Os fortes estímulos oferecidos em alguns países, a exemplo do anunciado nos Estados Unidos, poderiam nos favorecer pelo lado externo, mas ações direcionadas à reindustrialização do país seriam bem-vindas”, afirma ele.

“Não basta uma única ação. Entendo que são necessárias diversas ações combinadas, mas primeiramente é preciso enfrentar o desafio imposto pelo teto dos gastos e abrir espaço no orçamento para investimentos em infraestrutura e estímulos ao desenvolvimento tecnológico”, defende Marchesan. A ampliação de investimentos públicos, ainda que pequena, pode resultar em efeitos positivos relevantes no Produto Interno Bruto (PIB) devido ao seu efeito multiplicador na economia, afirma o dirigente.

Na área educacional, segundo Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as mudanças que estão ocorrendo no mundo do trabalho exigem maior qualidade na educação e mudanças na matriz curricular do ensino médio, com ampliação da formação técnica. “Existe uma quarta revolução industrial e o Brasil tem enormes desafios para responder. Precisamos melhorar a qualidade e produtividade do trabalho e do sistema educacional. Isso passa pela ampliação da educação técnica”, sugere Lucchesi.

Reformas necessárias
O economista Carlos Lopes, do banco BV, afirma que a principal lição da crise é a necessidade de aprovar com celeridade as aguardadas reformas estruturantes. “Muitas das reformas feitas lá atrás, como a trabalhista e a da Previdência Social, deram ao país um colchão de confiança dos investidores internacionais para atravessarmos esse momento. A lição que fica é a necessidade de continuar avançando”, argumenta.

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que “um dos grandes desafios do país para 2021 é o reequilíbrio das contas públicas e a manutenção do teto de gastos”. Segundo ele, “o ajuste fiscal ajudaria a elevar a confiança dos investidores e a reduzir as pressões sobre os juros, além de aumentar a capacidade de investimento do Estado. Um passo decisivo nessa direção seria a aprovação de uma reforma administrativa, que racionalizasse os gastos públicos e melhorasse a qualidade dos serviços prestados à população”.

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