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Lira sobe o tom contra
o governo Bolsonaro

Horas depois de se reunir com Jair Bolsonaro para discutir a criação de um comitê entre os Poderes de gestão do combate à Covid-19, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), subiu o tom contra o governo ao discursar no plenário da Câmara. Ele afirmou que, se não houver correção de rumo, a crise pode resultar em “remédios políticos amargos” a serem usados pelo Congresso, alguns deles fatais.

É a primeira vez que Lira, aliado de Bolsonaro, faz menção, mesmo que indireta, à ameaça de CPIs e de impeachment contra o presidente da República. Apesar de dizer não ser justo colocar toda a culpa em Bolsonaro, ele cobrou correção de rota, fez críticas ao trabalho do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e falou em tom de ultimato.

“Estou apertando hoje um sinal amarelo para quem quiser enxergar”, disse, afirmando que o caos na saúde gerado pela crise de Covid-19 precisa ser um fator de conscientização das autoridades envolvidas no sentido de “que o momento é grave” e que “tudo tem limite”.

No discurso, o líder do centrão propôs adotar um esforço concentrado para a pandemia por duas semanas, atrasando a tramitação de outros projetos para votar textos que tenham como objetivo ajudar no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“E CPIs ou lockdowns parlamentares, medidas com níveis decrescentes de danos políticos, devem ser evitados. Mas isso não depende apenas desta Casa”, afirmou. “Depende também, e sobretudo, daqueles que fora daqui precisam ter a sensibilidade de que o momento é grave, a solidariedade é grande, mas tudo tem limite.”

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Aliados de Lira leram o discurso como uma forma de o presidente da Câmara apertar o botão amarelo em relação às atitudes de Bolsonaro. Isto é, o mandatário assumiu o compromisso de tomar as rédeas e comandar o combate ao novo coronavírus. Caso o presidente falhe na missão e reforce teses negaciosnistas, o Congresso poderia tomar “remédios amargos”, “alguns, fatais”.

A pessoas próximas, porém, Lira minimizou o teor do pronunciamento e disse que se referiu à gestão “tripartite” da saúde e da pandemia para demonstrar que seu objetivo não era cobrar somente Bolsonaro.(Folhapress)

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