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Guedes sob ‘fogo cerrado’

Apesar de ter sido prestigiado por Jair Bolsonaro na 4ª feira (8.abr.2021) em jantar com empresários, o ministro da Economia, Paulo Guedes, permanece sob fogo cerrado do Centrão. Esta 5ª feira (8.abr) e 6ª feira (9.abr) são dias vitais para a definição de como será sancionado o Orçamento de 2021 (e também sobre o futuro de Guedes).

Os deputados e senadores do Centrão (grupo de partidos sem coloração ideológica clara que adere aos mais variados governos) e de partidos adjacentes pró-Bolsonaro afirmam que o Orçamento, com alguns ajustes propostos (corte de R$ 13,5 bilhões), fica 100% legal e não fura o teto de gastos nem a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Guedes disse ao presidente que o corte deve ser na casa de R$ 30 bilhões. Bolsonaro terá de arbitrar.

A ESCOLHA DE BOLSONARO
Se optar pela conta de Guedes, o presidente estará dinamitando pontes com o Congresso. Já foi avisado de maneira explícita sobre as consequências por Arthur Lira. E se Bolsonaro mantiver o Orçamento como desejam Lira e Rodrigo Pacheco, fica muito difícil a permanência de Guedes na Esplanada.

“Tecnicamente o Orçamento não tem problema. Absolutamente. Nem para o presidente, nem para os órgãos que dele precisam para fazer política pública a se desenvolver no ano de 2021”, disse Lira na 4ª feira. “Eu penso que todo acordo deve ser honrado na sua plenitude de parte a parte. Aí é esperar para ver a posição do governo”.

A equipe econômica quer propor o cancelamento de algumas despesas (por meio de vetos presidenciais), principalmente aquelas que foram acrescentadas por emendas do relator do Orçamento. Depois, enviar projeto de lei de crédito suplementar que recomponha a despesa obrigatória.

Para o Ministério da Economia, se o Orçamento for sancionado integralmente, em alguns meses o governo Bolsonaro seria obrigado contingenciar despesas (fazer um bloqueio temporário nos gastos).

Não faltam especulações em Brasília sobre quem poderia ser o próximo ministro da Economia, com uma eventual saída de Guedes. Eis 3 nomes:

Luiz Fernando Figueiredo – ex-diretor do Banco Central, é visto como uma solução “pró-mercado”. É sócio fundador e CEO da gestora de recursos Mauá Capital. Agradaria aos operadores financeiros e econômicos e também tem conhecimento de como funciona Brasília. Contra si tem o fato de que não tem intimidade com Bolsonaro;
Mansueto Almeida – o ex-secretário do Tesouro está hoje no banco BTG, muito bem-remunerado. É visto como técnico austero, mas com capacidade para entender como funciona a política e o Congresso;
Rogério Marinho – o atual ministro do Desenvolvimento Regional é sempre atacado por Guedes, que o qualifica como “fura teto”. É visto como desenvolvimentista e poderia emplacar uma política de obras semelhante ao que foi o PAC durante o governo Dilma Rousseff.

Uma eventual saída de Paulo Guedes do governo marcaria definitivamente a nova fase de Bolsonaro, que começou com a demissão de Sergio Moro em 2019, a reforma ministerial da semana passada e a suavização do discurso sobre necessidade de vacinas e controle fiscal, como ficou evidente ontem no jantar com empresários.

O Bolsonaro pós-Moro-Guedes será muito mais parecido com a política tradicional que o presidente combateu retoricamente em sua campanha de 2018.

A grande dúvida que fica é sobre como reagirão os cerca de 30% do eleitorado que seguem o presidente de maneira fiel.

1 Comentário

  1. Já sabemos então quem vai ocupar o lugar do Posto Ipiranga, o “fura teto”, já está alinhado com o mito JMB. E a dívida pública que vá para aquele lugar certo e sabido, não vou me nivelar com este boca suja do presidente,

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