Uncategorized

“Não vou colocar o meu na reta”,
diz Bolsonaro a empresários


Em jantar com empresários em São Paulo, na 4ª feira (7.abr.2021), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que irá respeitar o teto de gastos e a responsabilidade fiscal quando tiver de sancionar o Orçamento de 2021. “Não vou colocar o meu na reta”, afirmou, com o ministro Paulo Guedes (Economia) à mesa. A impressão que os empresários tiveram é que Bolsonaro quis fortalecer Guedes.

No mesmo dia do encontro, o ministro da Economia foi alvo de ataques do Centrão. Sua saída do governo era considerada iminente. No jantar, estava junto com o presidente. Num dado momento, Flávio Rocha, dono da Riachuelo, falou que Bolsonaro tinha ao seu lado “o melhor general para a economia”, citando Paulo Guedes. Todos os presentes na reunião concordaram que a prioridade neste momento do país é acelerar a aplicação de vacinas. Dizem achar que houve um mal-entendido sobre a lei que permite que empresas privadas comprem o imunizante. Os empresários pediram ajuda do governo para esclarecer como será o processo.

Em relação às políticas de isolamento social, coube ao empresário Jose Isaac Peres, dono da rede de shoppings Multiplan, fazer um discurso enfático e alinhado com o que defende Bolsonaro. Peres disse que não tem cabimento falar em lockdown, que cada uma das mais de 5.000 cidades do país tem realidades distintas e que o necessário, na avaliação dele, é o distanciamento social.

O presidente criticou governadores e chegou a usar o termo “vagabundos”. O tucano João Doria, governador de São Paulo, foi um de seus alvos durante a reunião.

Além de empresários, a lista de convidados também incluiu o presidente da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), Ricardo Mello Araújo. Ele é coronel da Polícia Militar de São Paulo e ex-chefe da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). É próximo do presidente. Depois de visita ao Planalto em novembro do ano passado, Mello Araújo descreveu Bolsonaro como “uma pessoa simples, do povo, iluminado e abençoado pelo senhor nosso Pai”.

QUEM FOI AO JANTAR
O Poder360 apurou a seguinte lista. Pelo menos um dos convidados não apareceu: Johnny Saad (Grupo Bandeirantes), que mandou avisar que estava com tosse e preferia não ir. Eis os demais que participaram:

André Esteves (BTG);
Alberto Leite (FS Security);
Alberto Saraiva (Habib’s);
Candido Pinheiro (Hapvida);
Carlos Sanchez (EMS);
Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein);
David Safra (Banco Safra);
Flavio Rocha (Riachuelo);
Luiz Carlos Trabuco (Bradesco);
João Camargo (Grupo Alpha de Comunicação);
Jose Isaac Peres (Multiplan);
José Roberto Maciel (SBT);
Paulo Skaf (Fiesp);
Ricardo Faria (Granja Faria);
Ricardo Mello Araújo (presidente da Ceagesp);
Rubens Ometto (Cosan);
Rubens Menin (MRV, CNN e Banco Inter);
Tutinha Carvalho (Jovem Pan);
Washington Cinel (Gocil).
O jantar foi na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil. A residência fica na Rua Costa Rica, no Jardim América, em frente à casa do ex-deputado Paulo Maluf.

COMITIVA DE BOLSONARO
Eis o grupo levado pelo presidente:

Augusto Heleno (Segurança Institucional);
Carlos França (Relações Exteriores);
Daniel Freitas (deputado, PSL-SC);
Eduardo Bolsonaro (deputado, SP);
Fábio Faria (Comunicações);
Marcelo Queiroga (Saúde);
Roberto Campos Neto (Banco Central);
Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral);
Paulo Guedes (Economia);
Ricardo Salles (Meio Ambiente);
Ricardo Barros (líder na Câmara)
Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

ENTREVISTA NA RUA
Depois da reunião, os ministros Fábio Faria (Comunicações), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) deram uma entrevista improvisada em frente à casa do anfitrião.

O chefe da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que um eventual lockdown nacional “não faz sentido no Brasil porque a própria população não adere a essas práticas”. O ministro defendeu uma união nacional “para conseguirmos a vacina para imunizar a população brasileira”. Indagado sobre a suspensão do envase de imunizantes pelo Butantan por falta de insumos, Queiroga disse esperar que o instituto tenha a capacidade de produção restabelecida.

O médico também acenou à iniciativa privada, afirmando que busca alternativas para viabilizar também a participação dos empresários na aquisição de vacinas: “Não para desviar os principais básicos do SUS, mas para se somar a ele e assim fortalecemos a nossa campanha de vacinação”.

Paulo Guedes disse que “a síntese do encontro” é baseada nos temas da vacinação em massa e no avanço nas reformas estruturais. Fábio Faria afirmou que todos presentes no jantar estão “satisfeitos” com o governo e afirmou que o Brasil é o 5º país que mais está vacinando. “Atingimos a meta de 1 milhão por dia. Precisamos de união”, disse.

Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) afirmou que conversa entre governo e empresários foi em tom amistoso. Questionado sobre a carta assinada por mais de 500 empresários, economistas e banqueiros cobrando ações do governo na pandemia, o ministro afirmou que o documento não entrou na discussão. Disse que o diálogo foi uma “reunião de aliança e compromisso com o futuro” e que o Brasil “está engrenando” na produção de vacinas.

1 Comentário

  1. Parreiras Rodrigues Responder

    En tempo 1 – Li aqui que Gabriel Back (conheço, lá de Paranavai) disse que Jair Bolsonaro tem ódio de roubalheira. Verdade, senhor Gabriel, das dos outros. Mas aparelhou a PF para blindar a roubalheira da família Rachadinha. Em tempo 2 : No tempo de nós crianças, rachadinha … deixa prá lá

Comente