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Bolsonaro na Cúpula do Clima com promessas gastas e sem credibilidade


Em sua fala, Bolsonaro ignorou os números recordes de desmatamento na região amazônica, adotou um tom conciliador, pediu recursos internacionais e antecipou para 2050 o prazo para o Brasil zerar as emissões de gases do efeito estufa. A meta anterior, definida no ano passado, era 2060.

No discurso de 5 minutos que fez na Cúpula do Clima, o presidente Jair Bolsonaro vestiu um terno que não lhe cabe, o da moderação e da sensatez. Prometeu reduzir o prazo para emissões de gases tóxicos e dar planejamento sustentável em todos os aspectos para a Amazônia. Esta atitude “nova” tem uma razão: sobre a mesa do organizador do encontro, o presidente americano Joe Biden, estão 10 bilhões de dólares para ajudar na preservação da Amazônia. No câmbio atual, seriam 55,7 bilhões de reais. Biden sinaliza que pode entregar esta quantia ao Governo do Brasil, desde que ações práticas sejam mostradas, e não apenas cartas com memorandos irreais de intenções. O principal critério para este financiamento é que o país tem de se comprometer a zerar o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030. E mais, que já comece a apresentar os resultados a partir de 2021.Leia a íntegrado discurso de Bolsonaro no Leia Mais.

A tendência é que o presidente brasileiro rasgue essa fantasia e siga sendo o radical presidente de sempre. O que enfraquece a fiscalização ambiental, zera os orçamentos dos órgãos de fiscalização, incentiva a grilagem de terras públicas, ignora os alertas de desmatamento e incêndios florestais e minimiza a importância dos povos indígenas e de outras comunidades tradicionais. Isso é o que esperam especialistas e parlamentares que estão na linha de frente de pesquisas de campo e negociações com representantes de outros países.

Leia a íntegra do discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima
Presidente reafirmou compromisso de acabar com desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e reduzir 50% as emissões de carbono

O presidente Jair Bolsonaro discursou por videoconferência na abertura da Cúpula do Clima na manhã desta quinta-feira. Bolsonaro reafirmou compromisso de acabar com desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e reduzir em 37% as emissões de carbono até 2025 e antecipar para 2050 e a neutralidade climática. Leia a íntegra abaixo:

“Com grande satisfação agradeço o convite para participar desta Cúpula de Líderes.

Historicamente, o Brasil foi voz ativa na construção da agenda ambiental global. Renovo, hoje, essa credencial, respaldada tanto por nossas conquistas até aqui quanto pelos compromissos que estamos prontos a assumir perante as gerações futuras.

Como detentor da maior biodiversidade do planeta e potência agroambiental, o Brasil está na linha de frente do enfrentamento ao aquecimento global.

Ao discutirmos mudança do clima, não podemos esquecer a causa maior do problema: a queima de combustíveis fósseis ao longo dos últimos dois séculos.

O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente, respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais.

REPITO: participamos com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa.

Contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas, com renovados investimentos em energia solar, eólica, hidráulica e biomassa.

Somos pioneiros na difusão de biocombustíveis renováveis, como o etanol, fundamentais para a despoluição de nossos centros urbanos.

No campo, promovemos uma revolução verde a partir da ciência e inovação. Produzimos mais utilizando menos recursos, o que faz da nossa agricultura uma das mais sustentáveis do planeta.

Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 12% da água doce da Terra.

Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.

À luz de nossas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima.

Somos um dos poucos países em desenvolvimento a adotar, e reafirmar, uma NDC transversal e abrangente, com metas absolutas de redução de emissões inclusive para 2025, de 37%, e de 43% até 2030.

Coincidimos, Senhor Presidente, com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos.

Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior.

Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data.

Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa.

Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados a ações de fiscalização.

Mas é preciso fazer mais. Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano.

A solução desse “paradoxo amazônico” é condição essencial para o desenvolvimento sustentável na região.

Devemos aprimorar a governança da terra, bem como tornar realidade a bioeconomia, valorizando efetivamente a floresta e a biodiversidade. Esse deve ser um esforço, que contemple os interesses de todos os brasileiros, inclusive indígenas e comunidades tradicionais.

Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental podermos contar com a contribuição de países, empresas, entidades e pessoas dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas.

Neste ano, a comunidade internacional terá oportunidade singular de demonstrar seu comprometimento com a construção de nosso futuro comum.

A COP26 terá como uma de suas principais missões a plena adoção dos mecanismos previstos nos Artigos 5º e 6º do Acordo de Paris.

Os mercados de carbono são cruciais como fonte de recursos e investimentos para impulsionar a ação climática, tanto na área florestal quanto em outros relevantes setores da economia, como indústria, geração de energia e manejo de resíduos.

Da mesma forma, é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação.

Estamos, reitero, abertos à cooperação internacional.

Senhoras e senhoers: como todos reafirmamos em 1992, no Rio de Janeiro, na conferência presidida pelo Brasil, o direito ao desenvolvimento deve ser exercido de tal forma que responda equitativamente e de forma sustentável às necessidades ambientais e de desenvolvimento das gerações presentes e futuras.

Com esse espírito de responsabilidade coletiva e destino comum, convido-os novamente a apoiar-nos nessa missão.

Contem com o Brasil.

Muito obrigado.”

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