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ONGs condenam discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima


Desacreditado, desinteressado, descolado da realidade. Organizações da sociedade civil não pouparam críticas ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula dos Líderes sobre o Clima.

Em nota, o Observatório do Clima, rede de 56 ONGs, destacou que o anúncio de novas metas para redução de gases estufa mostra que as três maiores potências globais — EUA, China e União Europeia — já competem rumo à descarbonização da economia. Bolsonaro, porém, não sinalizou que pretende seguir este caminho.

“O Brasil escolheu ficar de fora. O país tem um dos ativos mais importantes dessa nova ordem, a Amazônia, mas o regime de Jair Bolsonaro prefere entregá-lo a grileiros de terra, garimpeiros, pecuaristas predatórios e madeireiros ilegais. Tem sol, vento e biocombustível à vontade, mas prefere subsidiar petróleo”, disse o Observatório.

— O Brasil sai da cúpula dos líderes como entrou: desacreditado — avaliou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. — Fez uma opção deliberada pelo atraso num momento em que as vantagens comparativas do país poderiam atrair investimentos, emprego e qualidade de vida para os brasileiros. Espanto nenhum vindo de um líder que se aliou ao coronavírus contra a própria população, transformando o país num imenso cemitério.

Coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace, Fabiana Alves recomendou, em nota, que o presidente americano Joe Biden não feche acordo com Bolsonaro enquanto o governo brasileiro não demonstre interesse em limitar a temperatura global em até 1,5 grau Celsius ou proteja os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, que são “sistematicamente excluídos”.

“É impossível proteger a floresta dando fundos a alguém responsável por níveis recordes de desmatamento na Amazônia e violações dos direitos humanos”, ressaltou. “Em sua fala, (Bolsonaro) ressalta o mercado de carbono como solução, dando às empresas de combustíveis fósseis um caminho para ‘compensar’ sua poluição com florestas, em vez de, de fato, reduzi-la”.

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