Brasil

Em ato político, Bolsonaro passeia com centenas de motociclistas em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro deixou de moto o Palácio da Alvorada por volta das 9h deste domingo (9.mai.2021) e saiu em ato pelas ruas de Brasília acompanhado de centenas de motociclistas apoiadores. Em sua live na última 5ª feira (6.mai) Bolsonaro disse que aguardava ao menos 1.000 motos na manifestação. Não foi possível contar os participantes, mas é provável que o número tenha sido próximo (ou até maior) do esperado pelo presidente.

Bolsonaro acenou aos apoiadores na porta do palácio, mas não discursou. O trajeto não foi divulgado, mas incluiu locais famosos de Brasília como as proximidades do estádio Mané Garrincha. Antes de o presidente deixar a residência oficial, uma banda com músicos fardados tocava na concentração. O repertório ia de “Emoções”, de Roberto Carlos, a “The Final Countdown”, da banda sueca Europe.

Tratava-se da banda do BGP (Batalhão de Guarda Presidencial do Exército). O conjunto tem 30 integrantes, contando o regente.

Na última 3ª feira (4.mai.2021), Bolsonaro havia dito que planejava fazer um passeio em Brasília com um grupo de motociclistas no domingo. Fez o convite durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.

“Talvez no domingo, não está certo, mas estou convidando os motociclistas para 9h aqui [no Palácio da Alvorada] a gente dar uma volta em Brasília. Vai juntar mais de 500, estou achando”, disse.

“A gente não vai estar indo para comunidade porque eu acredito que mais de 1.000 motos vão se fazer presentes. Estou muito feliz. Pessoal quer me acompanhar em um passeio. Todo mundo tem o direito de ir e vir”, afirmou.

BOLSONARO SOB PRESSÃO
A manifestação foi chamada pelo presidente em um momento de pressão sobre o governo federal. A CPI (comissão parlamentar de inquérito) da Covid no Senado tem irritado o presidente.

O colegiado foi instalado no fim de abril para investigar a forma como o governo federal lida com a pandemia e como foram gastos recursos da União repassados a Estados e municípios.

O grupo colheu, nos últimos dias, depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Também do atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga.

A fala mais esperada da comissão é do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da pasta. Ele deveria ter comparecido ao colegiado na 4ª feira (5.mai). Adiou a oitiva sob o argumento de que havia tido contato recente com pessoas contaminadas pelo coronavírus.

Bolsonaro citou o “direito de ir e vir” ao falar sobre o ato na live por causa das medidas de isolamento social adotadas por prefeitos e governadores em diversos momentos da pandemia.

O presidente da República é contra essas providências, tidas por especialistas como a melhor forma de conter o avanço do vírus na ausência de vacinas.

Bolsonaro disse em diversos momentos que essas medidas afetariam demais a economia. Chegou a chamar os governadores que as adotavam de “exterminadores de empregos“.

Depois, passou a dizer que a imposição do isolamento seria contra o direito de ir e vir. Nos últimos dias afirmou que poderia assinar um decreto proibindo esse tipo de medida.

Também disse que, se assinar o documento, a atitude “não será contestado por nenhum tribunal“. A fala foi um recado para aglutinar seus apoiadores e uma ameaça ao STF (Supremo Tribunal Federal). É comum entre bolsonaristas a leitura de que a Corte não deixa o presidente governar.

O Brasil tem até o momento 421.316 mortes confirmadas pelo coronavírus. A de maior repercussão até o momento foi a do ator Paulo Gustavo, na última semana.

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