Brasil

Cancelada vacinação de grávidas com AstraZeneca

Estados e prefeituras alteraram o esquema de vacinação de grávidas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar, na noite desta segunda-feira, a suspensão imediata do uso do imunizante da Astrazeneca nesse grupo de pessoas.

A imunização de mulheres grávidas com comorbidades estava prevista para começar nesta terça-feira em São Paulo. A orientação da Anvisa é que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) siga a indicação da bula da vacina da AstraZeneca, que não indica uso nesse grupo.

“Esta recomendação é resultado do monitoramento de eventos adversos feito de forma constante sobre as vacinas contra Covid em uso no país”, diz a nota da Anvisa.

“O uso off label de vacinas, ou seja, em situações não previstas na bula, só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios da vacina para a paciente. A bula atual da vacina contra Covid da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina sem orientação médica.”

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Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o Ministério da Saúde investiga a morte de uma mulher grávida no Rio de Janeiro após uso do imunizante que, no Brasil, é fabricado pela Fiocruz.

Rio de Janeiro
Após determinação da Anvisa, o estado do Rio de Janeiro também suspendeu a vacinação contra a Covid-19 para grávidas, grupo que estava nesta fase de imunização para as gestantes com comorbidade. A informação foi confirmado pelo secretário estadual de Saúde do Rio, Alexandre Chieppe, ao G1. A recomendação era que fosse suspensa a aplicação da Oxford/AstraZeneca, única disponível no estado fluminense para primeira dose no momento, uma vez que a CoronaVac segue separada para a segunda dose e a Pfizer tem sido entregue aos poucos.

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Já de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde da capital, nesta terça-feira está suspensa a vacinação para grávidas e puérperas. Esses grupos não vão receber nenhum dos três imunizantes até que a autorização seja dada pelo Ministério da Saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que o caso da mulher grávida morta após o uso do imunizante foi notificado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio ao estado e ao Ministério da Saúde. Todos os dados serão analisados pelo Ministério da Saúde, a quem cabe os processos de investigação de eventos adversos graves.

A Anvisa recomenda a suspensão da vacinação de gestantes com a vacina AstraZeneca, e reforça que sejam seguidas as indicações da bula do imunobiológico quanto ao público alvo.

A SES recomenda que a vacinação das gestantes seja suspensa nesta terça-feira, dia 11, no estado do Rio de Janeiro, até que o Programa Nacional de Imunizações divulgue novas recomendações para esse grupo.

São Paulo
O secretário municipal de Saúde da capital paulista, Edson Aparecido, afirmou ao GLOBO que a suspensão da vacinação de grávidas com comorbidades está totalmente interrompida até que o Ministério da Saúde se posicione por meio do PNI, já que somente o imunizante da AstraZeneca estava previsto para ser aplicado nesse grupo.

— O município só recebeu AstraZeneca (para vacinar gestantes com comorbidades). Só temos CoronaVac para a segunda dose nesta semana, e só receberemos novas doses da Pfizer na semana que vem. Por enquanto, está suspensa então a vacinação (desse grupo) — afirmou.

À GloboNews, o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, declarou que a suspensão vai ser mantida até nova orientação da Anvisa.

“Nós temos ainda um quantitativo para a vacina do Butantan que não conseguiria pleitear todas as mulheres grávidas do nosso estado, assim como a dificuldade da vacina da Pfizer frente a baixa temperaturas, uma questão absolutamente de logística e estocagem, nós temos que encerrar temporariamente”, disse Gorinchteyn.

A secretaria estadual de Saúde informou ao GLOBO que a suspensão da vacinação recomendada pela Anvisa se refere a todo o grupo de gestantes com comorbidades, e não a imunizantes específicos.

Além do Rio de Janeiro e São Paulo, também suspenderam a vacinação com AstraZeneca de grávidas e puérperas nas capitais Rio Branco (Acre) e Aracaju (Sergipe).

A suspensão foi só para grávidas em Aparecida de Goiânia e Goiânia, em Goiás; em Mato Grosso do Sul; nas cidades de Juiz de Fora, Poços de Caldas, Viçosa, Divinópolis, Pontas, no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, em Minas Gerais; em Cuiabá e em Várzea Grande, em Mato Grosso; em Foz do Iguaçu, no Paraná; em Ananindeua, no Pará.

Os estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Roraima, Tocantins, Rio Grande do Norte, Maranhão e o Distrito Federal também suspenderam a vacinação de grávidas com o imunizante da AstraZeneca em todo o território.

Nos estados de Alagoas, Amazonas e Rondônia, as grávidas são vacinadas, apenas nas respectivas capitais, com o imunizante da Pfizer.

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