Brasil

Pazuello passa mal e CPI da Covid só será retomada amanhã

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello passou mal durante intervalo da CPI da Covid, na tarde desta quarta-feira, e a sessão foi suspensa. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, contou que Pazuello teve síndrome vasovagal, por ficar tanto tempo sentado. Foram quase sete horas de depoimento. Segundo Otto, o ex-ministro estava pálido e tonto e precisou deitar em um sofá para se recuperar.

— Deitamos ele no sofá. Se recuperou. Até poderia retomar o depoimento. Ele pode fazer o esporte que quiser, isso é muito comum. Acontece com quem está muito nervoso, emocionado e fica muito tempo sentado.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão que será retomada na quinta-feira às 9h30. Ele justificou a decisão em razão da reunião no plenário do Senado, que impede a CPI de ser realizada, e porque ainda há vários senadores inscritos para falar. O plano original era retomar a sessão ainda hoje, após o fim da reunião do plenário, como ocorreu em outras datas.

— Não passei mal. Não aconteceu nada — disse Pazuello ao sair do sessão para continuar o depoimento.

Para o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), “o depoimento está começando”, pois há muitos parlamentares inscritos que ainda irão se manifestar.

— Há enormes contradições, distorções de fatos — avaliou Randolfe.

Ex-ministro poupa Bolsonaro

No depoimento hoje à CPI, Pazuello buscou poupar o presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que nunca recebeu ordens diretas dele para fazer algo diferente da conduta adotada em sua gestão e apresentou versões inconsistentes sobre a crise de oxigênio em Manaus e a criação de um aplicativo que indicava cloroquina.

A declaração sobre o presidente, inclusive, contradiz um vídeo gravado pelo próprio Pazuello em outubro de 2020, após o então ministro ser desautorizado por Bolsonaro em relação à compra da vacina Coronavac. Na ocasião, ao lado do presidente, Pazuello afirmou que “um manda, outro obedece”.

Em seu depoimento, Pazuello relatou que havia convergência entre posicionamentos dele e do presidente:

— Em momento nenhum o presidente me deu ordem para fazer diferente do que eu já estava fazendo — afirmou Pazuello.

Ao tentar minimizar o episódio em que disse “um manda e o outro obecede”, Pazuello alegou que a frase representa um “jargão militar, apenas uma posição de internet e mais nada”, sem efeitos práticos. De acordo com o ex-ministro, embora o presidente o tenha desautorizado publicamente sobre o protocolo de intenções de compra da Coronavac, nada foi dito para ele ou para o Ministério da Saúde de forma reservada.

— Ele falou publicamente, para o ministério ou para mim (não disse) nada. Só havia termo de intenção de compra e foi mantido. Uma postagem na internet não é uma ordem. Ordem nunca foi dada — declarou Pazuello. — Nunca o presidente mandou eu desfazer qualquer contrato ou acordo com o Butantan. O presidente também se posiciona como agente político. A posição dele não interferiu em nada no diálogo com o Butantan.

Em outubro do ano passado, no mesmo dia das críticas de Bolsonaro, o secretário-executivo da gestão Pazuello, Elcio Franco, disse que não havia “intenção de compra de vacinas chinesas” ou qualquer compromisso com o governo de São Paulo em relação a vacinas. Na ocasião, Franco disse que tratava-se de um protocolo entre Ministério da Saúde e Instituto Butantan “sem caráter vinculante”.

Contradições
Pazuello disse ainda que Bolsonaro esteve a par de todo o processo de tratativas para compra da vacina da Pfizer, que se estendeu de julho do ano passado até março deste ano, negou que as ofertas tenham ficado inicialmente sem resposta e se comprometeu a enviar à CPI os registros de comunicações do ministério com a farmacêutica. A versão do ex-ministro é diferente das relatadas por Carlos Murillo, executivo da Pfizer, e do ex-secretário de Comunicação Social do governo federal Fábio Wajngarten, que disseram que não houve respostas às primeira ofertas de vacina feitas no ano passado pela Pfizer.

O ex-ministro também divergiu de seus antecessores no cargo — Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich — sobre questões com a influência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e o uso de cloroquina. Indagado por Calheiros se sua nomeação para ministro, em substituição a Teich, se deu sob a condição de cumprimento de alguma ordem, como por exemplo a recomendação do uso de cloroquina ou outro remédio para tratamento precoce da Covid-19, Pazuello negou:

Ele mentiu no depoimento ao dizer que a plataforma TrateCov foi “mostrada” em Manaus, no dia 11 de janeiro, como uma ferramenta “em desenvolvimento, não concluída ainda”. O aplicativo, desenvolvido pelo ministério para indicar se o paciente estava com Covid-19 a partir de sintomas e sinais, sem realização de testes, foi anunciado pelo próprio então ministro e pela idealizadora da iniciativa, a secretária de Gestão do Trabalho da pasta, Mayra Pinheiro. Ela destacou, na ocasião, que o Amazonas era o primeiro estado a receber o aplicativo e que ele já estava nas plataformas da pasta para ser baixado.

— Hoje vai ser lançada uma plataforma, a Mayra vai falar sobre isso, que vai permitir que o próprio prefeito cobre o protocolo de atendimento. É uma plataforma com o protocolo e o protocolo vai nos dar mais de 85% de acerto. Tá bom, né? Mais a capacidade do médico, chegamos em 100% — anunciou Pazuello em evento em Manaus, no dia 11 de janeiro, quando levou uma comitiva a cidade por conta da crise do oxigênio.

1 Comentário

Comente