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da Folha de S. Paulo

A Justiça Militar do Paraná arquivou nesta terça-feira (22) um inquérito que apurava os supostos excessos cometidos por policiais militares durante um protesto de professores da rede pública estadual contra o governo Beto Richa (PSDB), em abril de 2015.

Os policiais estavam sendo investigados por suspeita de crime de lesão corporal e emprego abusivo de força durante a manifestação contra mudanças na previdência dos servidores em frente à Assembleia Legislativa.

A decisão foi dada após o promotor Misael Duarte Pimenta Neto, da Vara da Auditoria Militar em Curitiba, já ter solicitado o arquivamento do inquérito, em fevereiro, alegando que não havia elementos suficientes para individualizar a conduta dos policiais.

No despacho, o juiz Davi Pinto de Almeida lamentou o desfecho do caso, mas considerou que os agentes cumpriram seu dever ao impedir que os manifestantes invadissem a Assembleia, e que não há indícios de que eles tenham começado as agressões.

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Nesta segunda-feira (29) o confronto entre policiais e professores no Centro Cívico de Curitiba, que deixou mais de 200 feridos, completa dois meses. O momento é ideal para uma análise sem paixões dos atos e fatos que levaram aquela fatídica tarde e o que veio depois. Na avaliação de uma professora, com trânsito livre na Assembleia Legislativa, faltou cabeça fria e sobrou tró-ló-ló e engôdo.

“Primeiro os dirigentes da APP-Sindicato, orientados por deputados da Oposição e militantes petistas e da CUT, se insuflaram contra o projeto da Paraná Previdência, que havia sido amplamente discutido com a categoria e técnicos, como o economista Renato Follador, que disseram ser a mudança possível proposta pelo governo”, lembrou. “Depois emendaram uma greve pela data base, inflando o ego dos professores que ainda estavam com as feridas abertas após o confronto, forçados por eles mesmos”, lembrou a professora.

O que veio depois, segundo análise dela, é que o projeto da Paraná Previdência foi aprovado e nada mudou, como foi amplamente defendido e o reajuste do funcionalismo, que num primeiro momento o governo se dispôs a conceder 5% este ano, acabou reduzido para 3,45% a ser pago no distante mês de novembro. “Nos dois casos o que aconteceu é que a categoria e o funcionalismo em geral, se deixou levar pela má fé de sindicalistas muito mais preocupados em desgastar a imagem do governador”, concluiu.

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As manifestações já se tornaram rotineiras na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico de Curitiba. Quem chegou para trabalhar ou visitar a Assembleia Legislativa do Paraná se deparou com mais um ato, mesmo que representado apenas por pirulitos plantados num dos jardins em frente a Casa de Leis. O ato, mais um, é contra uma montadora de automóveis que, segundo as denúncias, não estaria respeitando os direitos dos sindicalistas, categoria que mais cresce no Brasil, tanto junto ao setor privado como público.

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Tensão no Centro Cívico. Mais uma vez, professores e policiais entraram em confronto. Dezenas de feridos. Deputados de oposição insistem para que a sessão seja suspensa. Ney Leprevost (PSD) foi um dos deputados que acabaram sendo atingidos por bomba de efeito moral. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) determinou a evacuação do prédio da Prefeitura de Curitiba e disponibilizou o espaço para atender feridos. Creches e escolas da região devem ser esvaziadas. O centro médico do TJ também está recebendo quem precisa de atendimento.

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Sindicalistas estão fechando ruas e acessos no Centro Cívico. O objetivo é impedir a todo custo que deputados estaduais cheguem a Assembleia Legislativa para exercer o seu dever constitucional.

Como se não bastasse isso, intimidam motoristas que precisam passar pelo famigerado cerco humano. Uma advogada, que trabalha em um escritório na região, relatou que tentou negociar o acesso a uma das ruas bloqueadas pelos manifestantes. Sem sucesso, foi intimidada e obrigada a sair do carro e abrir o porta-mala para mostrar que não carregava nenhum deputado escondido.

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Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo centro cívico-28.04.15-gazetadopovo

O cerco policial que tomou conta do Centro Cívico tem dificultado a vida de quem trabalha na região. Funcionários do Tribunal de Contas estão exasperados pois enfrentam uma enorme burocracia para entrar no prédio. Até conselheiro foi barrado e levou algum tempo para provar quem era. Só conseguiu o acesso depois de mostrar uma série de documentos.

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A senadora Gleisi Hoffmann (PT) reapareceu no Paraná em esforço para recuperar ao menos parte de sua popularidade. Nesta quinta-feira, 19, circulou entre os grevistas no Centro Cívico em Curitiba. Aproveitou para fazer o discurso que os acampados queriam ouvir. Atacou as medidas do governo Beto Richa e defendeu as propostas federais, como cortes em benefícios dos trabalhadores e aumento em taxas e impostos. Não falou nada sobre o escândalo da Petrobras, muito menos da alta no preço da energia e dos combustíveis.