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PT corrupto

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Há dois anos, no dia 23 de janeiro de 2013, a presidente Dilma Rousseff apareceu em cadeia nacional de rádio e televisão, avisando que o Brasil, tinha energia suficiente “para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou qualquer tipo de estrangulamento, no curto, médio ou longo prazo”. Anunciava a redução de 18% no valor da conta de luz residencial dos brasileiros e 32% para a indústria. Esta semana, foram registrados apagões em, pelo menos, 11 estados e Distrito Federal: falhas no sistema de transmissão e recorde no consumo. Dilma não dá as caras, distribui comunicado e escala Eduardo Braga, de Minas e Energia, para falar.

Zuenir Ventura

Saber que as empreiteiras serão julgadas com mais rigor e que há poderosos empresários vendo o sol nascer quadrado em celas de presos comuns pode não ser tudo, mas faz de 2014 um ano não de todo ruim

Na enquete que a coluna de Ancelmo Gois fez junto a “15 coleguinhas da casa” para saber o que pediriam a Papai Noel, dez respostas tinham a ver com corrupção, o tema que de fato predominou no noticiário e no vocabulário político de 2014. Houve quem pedisse como antídoto “vergonha na cara dos homens públicos”, houve quem quisesse o fim do petróleo, a estatização da Petrobras, uma faxina geral, um Poder Judiciário fazendo sua parte. Esse talvez tenha sido mesmo o maior vexame nacional. Pode-se alegar que a derrota de 7 x 1 para a Alemanha feriu a autoestima da população mais do que o Petrolão. Sim, mas no caso há sempre a desculpa de que foi um acidente, um acaso infeliz que dificilmente se repetiria, enquanto o que ocorreu com a nossa estatal, orgulho nacional, não foi um surto passageiro, mas a manifestação de um mal endêmico, enraizado. Não se pode esquecer também o baixo nível da campanha eleitoral, com os xingamentos e as “desconstruções”, um eufemismo para o processo de desmoralização do adversário.

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Petistas que estiveram na reunião do partido em Fortaleza sentiram que há uma nova ordem reinante na agremiação na forma de lidar com escândalos de corrupção, até mesmo envolvendo companheiros e figuras ligadas ao governo.

Nos tempos do mensalão, Lula era o primeiro a enaltecer os homens do PT envolvidos no esquema criminoso de desvio de dinheiro público, rotulando tudo como “uma conspiração golpista” para enfraquecer a legenda (com o tempo, ele foi deixando de lado essa defesa). E o pessoal do partido seguia a cantilena.

Agora – a começar pela própria Dilma – o panorama mudou. Nada de colher de chá: para quem errou, os rigores da lei.

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Com custo total de R$ 5 bilhões, a campanha eleitoral de 2014 foi a mais cara da história, ultrapassando em 2% a de 2010, que, diferentemente do pleito deste ano, tinha o dobro dos cargos ao Senado em disputa. Os números foram obtidos pela Folha de S. Paulo, que cruzou levantamento nas prestações de contas de todos os candidatos em disputa, eleitos e derrotados.

O levantamento mostra que dez empresas investiram R$ 1 bilhão em candidaturas, ou 20% do total. Somados, os maiores gastos ficaram por conta das disputas às assembleias legislativas, R$ 1,2 bilhão, seguida pelos candidatos a governador, R$ 1,1 bilhão e aos candidatos a deputado federal, R$ 1 bilhão.

O balanço da Petrobras do terceiro trimestre foi adiado por causa da recusa da auditoria externa de assiná-lo. Mas o balanço verdadeiro e amplamente divulgado é o seguinte: dois ex-diretores da Petrobras presos, um presidente de subsidiária (Transpetro) afastado, dezenas de executivos de empreiteiras presos ou investigados, estimativa de R$ 10 bilhões em operações escusas e a reputação da maior empresa brasileira jogada no lixo.

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Para quem insiste no chavão gasto de que combaterá a corrupção “doa a quem doer”, editar uma MP para adiar a vigência de uma lei moralizadora não é um bom remédio.

Mary Zaidan

Quatro dias depois de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff adiou por seis meses a entrada em vigor da lei das ONGs, que estabelece regras mais rígidas para a contratação de entidades sem fins lucrativos. Fora o absurdo de sustar a vigência de uma lei aprovada pelo Congresso com uma Medida Provisória, que constitucionalmente só poderia ser editada em casos de relevância e urgência, o ato é mais uma demonstração da distância abissal entre as palavras da presidente e suas ações. Incluso aí o combate à corrupção.

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Planilha de Youssef indicaria o pagamento a políticos. Empresas do doleiro também receberam R$ 4,9 milhões de empreiteiras de obra na refinaria paranaense.

Da Gazeta do Povo – Investigadores da Operação Lava Jato encontraram novos indícios que ligam o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef às obras de ampliação da refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) apuraram que empresas controladas por Youssef mantiveram pelo menos três contratos com empreiteiras que atuaram na obra, ocorrida entre 2006 e 2012 e que custou R$ 7,5 bilhões. Os valores repassados pelas empreiteiras às empresas de Youssef somam R$ 4,9 milhões. A PF também apreendeu uma planilha, que estava em posse do doleiro, detalhando supostos pagamentos de propina de R$ 35.8 milhões envolvendo a Repar. O dinheiro abasteceria o esquema de pagamento a políticos e empresários descoberto pela Lava Jato.